Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 29/01/2020

De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada sob a metáfora denominada “corpo biológico”, uma vez que, para ser coesa, as estruturas devem estar interligadas e em bom funcionamento, assim como o organismo humano. Em consonância com a teoria sociológica apresentada, a ininterrupção dos índices de evasão universitária no Brasil revelam uma negligência de orgãos públicos no que tange ao combate de problemas sociopolíticos, o que interfere na dignidade dos indivíduos, sobretudo os da parcela social mais vulnerável. Nesse espectro, faz-se importante expor e viabilizar medidas para amenizar tal problemática, a fim de reverter esse quadro caótico.

Em primeiro plano, é imperativo postular que a ausência de um efetivo exercício do poder público nas universidades interfere no bem-estar e na sensação de pertencimento dos alunos. Sob essa ótica, nota-se que a negligência governamental somada à falta de políticas de assistência estudantil constitui uma realidade no Brasil, o que torna inviável, em termos práticos, a realização projetos de pesquisa e discussão acerca do problema. Tal problemática comprova-se a partir do corte de verbas em diversas universidades do país, decretado no ano de 2019, o que prejudica a possibilidade de projetos inovadores visando a produção de conhecimento e a manutenção de recursos. Logo, é substancial que hajam medidas para reverter esse cenário.

Outrossim, é lícito mencionar que a desistência por inadimplência constitui um dos fatores que corroboram com o aumento das taxas de evasão universitária no país. Tal fato ocorre devido à ausência de recursos monetários, por parte de estudantes mais carentes, para pagar as mensalidades em universidades privadas, uma vez que, muitas vezes, os indivíduos trabalham e estudam e, ainda assim, o próprio trabalho não proporciona um retorno financeiro digno. Dessa maneira, muitos optam pela modalidade EaD (Ensino à Distância), por ser economicamente mais viável para a condição em que estão submetidos. Assim,é necessário combater tal defasagem no âmbito educacional brasileiro.

É fundamental, portanto, que medidas sejam concretizadas para atenuar o quadro vigente. Logo, cabe ao Governo Federal, junto ao Ministério da Educação, destinar mais recursos para as universidades para assistência estudantil e pesquisas, a partir de verbas públicas, visando um maior acolhimento aos alunos. Ademais, cabe ao Governo Federal elaborar projetos mais eficazes de inclusão de indivíduos menos favorecidos nas universidades, como programas de bolsas de estudo integral e de auxílio financeiro a partir de empréstimos sem juros. Assim, observar-se-ia uma redução gradual nos índices de evasão universitária no país.