Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 27/03/2020

O filme norte-americano “Sociedade dos poetas mortos” relata a história de John Keating, um professor que começa a trabalhar em uma instituição rigorosa, a qual impossibilita os estudantes de cativarem seus próprios sonhos. Nesse sentido, a narrativa destaca as ações do educador para criar um ambiente agradável e evitar que seus alunos abandonem o meio acadêmico. Fora da ficção, esse cenário de caminhos para impedir a evasão estudantil enfrenta obstáculos, sobretudo, nas universidades brasileiras e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela ineficiência estatal, seja pelo baixo acolhimento universitário – compromete o crescimento profissional de inúmeros cidadãos.

A princípio, cabe analisar o papel estatal ineficiente sob a visão do sociólogo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que ocorra a construção da cidadania. Analogamente, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos projetos de investimento universitário, os quais, frequentemente, apresentam estruturas desqualificadas e não conseguem oferecer materiais essenciais para a instrução pedagógica. Por consequência, o sucateamento do ensino cria espaços desinteressantes e amplia a saída precoce dos alunos, o que prejudica a formação cidadã e intensifica a falta de capacitação na sociedade.

Ademais, além do governo, a atuação pouco acolhedora das faculdades também auxilia na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Dessa forma, o recente âmbito das universidades – o qual grande parte das instituições não oferecem estruturas de apoio para alunos que exibem déficit de aprendizagem ou ignoram práticas de nivelamento acadêmico – permite que jovens tenham dificuldades em se adaptar ao ensino superior e gera ambientes favoráveis ao abandono. Logo, gradativamente, o meio universitário torna-se pouco atrativo e o desejo pela qualificação profissional acaba por ser reduzido no meio popular.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de parcerias público-privadas com empresas do setor educacional, deve criar uma gestão compartilhada dos recursos pedagógicos e equipamentos fundamentais para a instrução, especialmente para as faculdades mais afetadas pela precariedade de investimentos. Dessa maneira, será possível deixar esses espaços mais atrativos e diminuir a evasão dos alunos. Além disso, as universidades, a partir de centros de suporte acadêmico, devem oferecer cursos de nivelamento com monitores de diferentes disciplinas, a fim de apoiar estudantes que exibem déficits no ensino e impedir a criação de ambientes hostis dentro das instituições, assim como ocorreu no filme “Sociedade dos poetas mortos”.