Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 18/04/2020
De acordo com os dados divulgados pelo Inep em 2016, 3 milhões de alunos largam o ensino superior por ano no Brasil. Esses números demonstram que o problema da evasão universitária está presente de forma complexa na realidade brasileira. Nesse contexto, nota-se a feição de uma problemática grave de delineamentos específicos no que tange a falta de renda para se manter na faculdade e o gasto público que se torna inútil diante do abandono da matrícula.
Em uma primeira análise, pode-se apontar como um dos principais empecilhos à consolidação de uma solução, a carência de recursos dos brasileiros de baixa renda para se sustentar na universidade. Para grande parte dos estudantes, no Brasil, o curso superior ainda é a forma privilegiada de ascensão social, isso porque a maior parte dos universitários são de classe média. É inegável que mesmo faculdades públicas exigem gastos, seja de dinheiro, para passagens e alimentos, seja de tempo. No entanto parte da população brasileira não possui renda para além do básico, segundo dados do IBGE em 2016, um quarto da população brasileira vive com menos de 388 reais por mês. Dessa forma, aqueles pertencentes a classe desfavorecida que conseguem ingressar na universidade, possuem dificuldades para se manter nela, por falta de capital, bem como falta de tempo.
Ademais, o abandono das matrículas de universidades públicas traz prejuízo financeiro ao governo. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2016, a média de custo de um aluno em universidade federal é de 3,129 mil reais por mês, totalizando 37,551 mil reais ao ano. Sendo assim, o fato de não ter estudante é custo, a instituição está pronta para ele, se um indivíduo evade no primeiro ano, deixa de contribuir pelos próximos quatro e o governo perde o dinheiro que investiu nele. Haja vista essa problemática, é notório que há um grave dano econômico, dados do censo do MEC confirmam que, em 2009, o país perdeu 9 bilhões de reais com desistência do ensino superior.
Torna-se evidente, portanto, que a evasão universitária é um grave entrave no Brasil. Cabe ao MEC regular as políticas de auxílios que dão assistência aos alunos de baixa renda, de maneira a distribuir esse recurso adequadamente, tendo em vista atender a todos os necessitados, o que pode ser feito por meio de estudos da situação financeira dos estudantes de baixa renda, através de entrevistas e visitas sociais a domicílio, com a finalidade de entender a dificuldade de cada um. Essa regularização servirá para dar o dinheiro que cada ingressante precisa para se manter na universidade, evitando o abandono.