Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 30/04/2020

Em sua etimologia, a palavra “educar”, significa conduzir alguém ou algo a um patamar superior. Entretanto, no Brasil, em pleno século XXI, o significado dessa palavra é desrespeitado, visto que muitos indivíduos não possuem condições econômicas para ingressar em uma instituição privada e ainda, as universidades públicas estão em um estado de sucateamento estrutural que provoca um crescimento exponencial dos índices de evasão universitária do país. Diante disso, é necessário estabelecer que os cortes de verbas educacionais e o panorama de inadimplência da sociedade nacional, fazem com que o dicionário que contenha esse vocábulo seja “queimado” e a diminuição dos casos de evasão universitária seja uma utopia.

A priori, é válido destacar que o âmbito universitário é um “artesão” que molda o indivíduo intelectualmente e profissionalmente. No entanto, os constantes cortes de verbas promovidos pelo Poder Executivo têm se tornado um perigoso antígeno que contamina as universidades públicas e, consequentemente, impacta na expansão dos casos de evasão. Em março de 2019, o Governo Federal bloqueou cerca de 5,81 bilhões de reais na área da educação, gerando um caos na infraestrutura dos institutos e um pessimismo em relação a pesquisas que seriam trabalhados no futuro. Com isso, as pessoas  abandonam as faculdades e deixam de crer no valor destas na sua formação.

Contudo, existe outro fator que impede que os índices de evasão universitária sejam atrofiados. O gigantesco cenário de inadimplência dos cidadãos brasileiros tem sido a droga responsável por eclodir uma overdose de evacuação nas instituições privadas do país, uma vez que grande parcela da população não possui empregos e, por conseguinte, não dispõe de fundos monetários para se manter nestas. Segundo o INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), nos últimos dez anos, a evasão em instituições privadas é de cerca de 25%. Logo, é fato inconteste que esta conjuntura gera consequências imediatas a estes indivíduos. Entre essas consequências, estão: falta de especialização e menores oportunidades trabalhistas.

Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para atenuar este impasse. O Ministério da Educação juntamente com as Secretarias de Educação de cada estado deve, por meio de decretos de lei, criar programas eficazes de distribuição de verbas para educação, a fim de que as universidades sejam um espaço acolhedor e educador. Cabe também ao Ministério do Trabalho, através de parcerias com empresas privadas, gerar processos seletivos que forneçam empregos aos inadimplentes, com propósito de que estes tenham tenham possibilidades de se manterem nas instituições privadas. Dessa forma, a etimologia da palavra será mantida e os índices de evasão universitária serão diminuidos.