Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 04/05/2020

Durante o período imperial brasileiro decorrido em meados do século XIX, jovens da elite agrária iam para a Europa estudar, porém muitos voltavam antes de concluir esse ensino. De forma análoga, atualmente, nosso país enfrenta desafios relacionados à diminuição dos índices de evasão universitária e fatores como o sucateamento da educação em consonância com a inadimplência agravam esse impasse. Destarte, tona-se necessária à discussão sobre o tema com o intuito de resolver essa problemática.

A priori, é necessário destacar que, embora existam verbas destinadas para esse fim, o sucateamento da educação é um fator que contribui para o aumento de alunos evasivos devido à má qualidade do ensino básico. E essa deficiência na formação faz com que o indivíduo não se sinta parte da estrutura educacional e não consiga acompanhar o ensino superior. Nesse âmbito, ratifica-se a tese do jornalista brasileiro Gilberto Dimestein acerca da cidadania de papel, isto é, ainda que o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Dessa maneira, os dados apresentados permitem uma reflexão sobre a atual relação entre o governo e sua negligência para mitigar o imbróglio em questão.

Outrossim, no que diz respeito à inadimplência, podemos considerar que muitos estudantes não conseguem arcar com os custos do próprio ensino, devido as elevadas mensalidades das faculdades particulares ou ao custo de vida inacessível para os aprovados em universidades públicas localizadas em cidades diferentes das quais eles vivem. Logo, isso contribui para a falta de formação dos indivíduos, o que acarreta, à longo prazo, em um mercado de trabalho menos capacitado e no aprofundamento da desigualdade social. Dessa forma, tais fatos contradizem a constituição de 1988, a qual prevê a educação como um direito social. Portanto, precisa-se de uma intervenção para que essa questão seja modificada com o fito de alcançar a isonomia esperada pela sociedade.

Em suma, são necessárias medidas que atenuem essa problemática. Para cessar os desafios relacionados à diminuição da evasão universitária no Brasil, urge que o Executivo, por meio de investimentos no Ministério da Educação, inclua métodos de aprendizados mais didáticos e eficientes nas escolas, como feiras de profissões, para melhorar a aprendizagem dos alunos e qualidade do ensino básico. Além disso, cabe a esses mesmos agentes, através de investimentos, aumentar as linhas de financiamento estudantil do ensino superior com o objetivo de promover mais oportunidades para pessoas de classes financeiras baixas. Somente assim, problemas com a evasão universitária vividos no século XIX, deixarão de ser atuais em nossa sociedade.