Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 04/05/2020

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne à evasão universitária no Brasil, que segue sem uma intervenção que a resolva. Nesse contexto, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causa principal a falta de renda para se manter na faculdade e como consequência o gasto público que se torna inútil diante do abandono da matrícula.

Em uma primeira análise, pode-se apontar como um dos principais empecílhos à consolidação de uma solução a carência de recursos dos brasileiros de baixa renda para se sustentar na universidade. Para grande parcela dos estudantes, no Brasil, o curso superior ainda é uma forma privilegiada de ascensão social, isso porque a maior parte dos universitários são de classe média. É inegável que mesmo faculdades públicas exigem gastos, seja de dinheiro, para passagens e alimentos, seja de tempo. No entanto, uma enorme fração da população brasileira não possui renda nem para o básico. Segundo dados do Instituto Brasleiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2016, um quarto da população brasileira vive com menos de 388 reais por mês. Dessa forma, aqueles pertencentes a classe desfavorecida que conseguem ingressar na universidade, possuem dificuldades para se manter nela, por falta de capital, bem como falta de tempo.

Ademais, o abandono das matrículas de universidades públicas traz prejuízo financeiro ao governo. Conforme dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em 2016, a média de custo de um aluno em universidade federal é de 3,129 mil reais por mês, totalizando 37,551 mil reais ao ano. Sendo assim, o fato de não ter estudante é custo, a instituição está pronta para ele, se um indivíduo evade no primeiro ano, deixa de contribuir pelos próximos quatro e o governo perde o dinheiro que investiu nele. Sob esse viés, é notório que há um grave dano econômico, haja vista dados do censo do MEC que confirmam que, em 2009 o país perdeu 9 bilhões de reais com desistência do ensino superior.

Torna-se evidente, portanto, que a evasão universitária é um grande entrave no Brasil. Cabe ao MEC regular as políticas de auxílios que dão assistência aos alunos de baixa renda, de maneira a distribuir esse recurso adequadamente, tendo em vista atender a todos os necessitados. Isso pode ser feito por meio de estudos da situação financeira dos estudantes de baixa renda, através de entrevistas e visitas sociais a domicílio, com a finalidade de entender a dificuldade de cada um. Essa regularização servirá para dar o dinheiro que cada ingressante precisa para se manter na universidade, evitando o abandono.