Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 12/05/2020

Em consonância com o filósofo alemão Immanuel Kant, para quem “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, considera-se indiscutível a essencialidade do acesso ao ensino para a pleno desenvolvimento dos cidadãos. Sendo assim, é importante a formação universitária para a capacitação dos profissionais do país. Contudo, a conclusão do ensino superior não se concretiza por muitos universitários - de acordo com o Ministério da Educação, a taxa de evasão em universidades federais, em 2018, foi de 15% do total de matriculados. Desse modo, convém compreender a falta de autoconhecimento dos estudantes, bem como sua situação financeira, como entraves a serem vencidos para que se reduza esse índice e seja promovido o acesso ao ensino superior a todos.

Inicialmente, é válido relacionar as taxas de evasão universitária supracitadas com a dificuldade dos jovens quanto ao entendimento de sua vocação e do interesse próprio, o que leva ao abandono dos cursos, sobretudo, nos primeiros semestres. Prova disso é que de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, dos 329.563 estudantes que ingressaram em Instituições Federais de Educação Superior em 2017, mais de 69 mil fizeram o Enem mais de uma vez nesse mesmo ano. Sendo assim, é importante a implantação de programas de tutoria especiais e políticas de assistência estudantil como meio de diminuir a desistência dos matriculados.

Além disso, é importante ressaltar que a falta de auxílio financeiro aos alunos impulsiona a problemática da evasão das universidades. Nessa perspectiva, em consonância com Oscar Hipólito, membro do Instituto Lobo e um dos responsáveis pela pesquisa “Estudos sobre a Evasão no Ensino Superior Brasileiro”, infere-se que, visando atrair e reter alunos, é preciso que os setores financeiros das instituições adotem estratégias de financiamentos, bolsas e descontos da própria faculdade, além de opções de cursos financeiramente mais acessíveis. Com isso, será mais fácil para os estudantes conciliar a vida acadêmica com as suas situações financeiras particulares.

Portanto, é premente a assistência psicológica e financeira para que se reduzam os índices de evasão universitária no Brasil. Assim, é necessário que o Ministério da Educação auxilie os estudantes na identificação da vocação e dos potenciais individuais, por meio da alocação de psicólogos e orientadores educacionais nas escolas de nível médio, para que sejam evitadas frustrações futuras com os cursos escolhidos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação viabilizar financeiramente a formação acadêmica da população, com o oferecimento de descontos por desempenho, financiamentos e condições flexíveis para pagamento, a fim de reduzir a evasão por inadimplência. Dessarte, poder-se-á garantir o acesso ao ensino superior a todos no país.