Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 14/05/2020
Crucial para o processo de redemocratização brasileira, a Constituição de 1988 inaugura no país um longo processo de reafirmação dos direitos sociais e civis. No que diz respeito à educação, direito plenamente estabelecido, é pertinente a discussão acerca dos desafios atrelados à diminuição da evasão universitária, tendo em vista a aplicação deficiente do direito na realidade do país.
É preciso pontuar, primeiramente, a elitização do ensino básico como principal motivo das taxas de evasão. É possível afirmar que, assim como na Roma Antiga, o acesso à educação básica é extremamente elitizado, restrito às camadas altas. Nesse sentido, ao adentrar no ensino superior, muitos jovens provenientes de áreas baixas têm a sua educação afetada, justamente pela base fraca das escolas. Com isso, esses indivíduos acabam optando, muitas vezes, por abandonar os estudos, aumentando os índices de evasão. Desse modo, é inegável a ação do ensino fundamental como agente influenciador da interrupção dos estudos desses universitários.
Concomitantemente à isso, o constante sucateamento do ensino público também é um fator a ser discutido. A música “Another brick in the Wall”, de Pink Floyd, denuncia a mecanização e a mercantilização do ensino, que não cumpre o seu papel em sua plenitude. Sob esse viés, o recente contigenciamento de uma parte da verba destinada às universidades públicas pelo Ministério da Educação evidencia a secundarização do ensino, que mesmo sendo um direito básico, não recebe a sua devida atenção pelo governo. Sendo assim, é válido apontar a negligência estatal como fator contribuinte para o aumento dos índices de evasão.
Dessarte, é irrefutável a importância da elaboração de medidas em prol da diminuição das taxas de evasão universitária no Brasil, tendo como objetivo a superação de seus desafios. Diante disso, cabe ao Ministério da educação implementação de projetos visando o melhor aproveitamento do ensino superior pelo aluno. Isso deve ser feito, por exemplo, por meio da reavaliação do financiamento disponível para escolas e universidades públicas, redistribuindo a verba disponível e promovendo a minimização das diferenças, além da melhor aplicação do dinheiro. Dessa maneira, a discrepância existente na educação brasileira sera diminuída, e o ensino superior brasileiro será plenamente valorizado.