Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 19/05/2020
A Carta Magna de 1988 assegura o direito à educação a todos os cidadãos. Entretanto, os altos índices de evasão universitária indiciam que esse direito não está sendo contemplado por todos os brasileiros. Nesse contexto, a permanência desse problema reflete um cenário desafiador para a educação brasileira, seja pela ineficiência estatal, seja pela defasagem educacional.
Mormente, é justo reconhecer as iniciativas do Poder Público que visam a atenuar essa problemática, como a criação do PROUNI, programa o qual fornece bolsas universitárias para estudantes de baixa renda com o uso da nota do ENEM. Contudo, apenas isso não é suficiente para atenuar esse problema, haja vista que, mesmo que o indivíduo consiga entrar na universidade, ele pode não conseguir se manter durante o período de graduação. Sob esse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo. Tristemente, a carência da criação de uma bolsa de subsistência força que muitos estudantes com pouca renda tenham que abandonar os estudos para trabalhar e se manter.
Outrossim, outro grande desafio é vencer a defasagem de ensino. Por mais que o estudante consiga entrar na universidade, pode acontecer dele não ter embasamento teórico para dar continuidade ao curso, e é por isso que a evasão escolar é tão alta em cursos derivados da Matemática, como a Engenharia e a Computação. A esse respeito, dados revelados pelo CPS(Centro de Pesquisa Sociais) apontam que cerca de 60% dos estudantes que ingressam nos cursos de Matemática(Pura & Aplicada) não chegam a completar o primeiro período. Destarte, é urgente a criação de programas universitários que visam a acolher alunos com defasagem de ensino, a fim de diminuir a saída de discentes dessas áreas de ensino.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, instituição a qual tem o poder de intervir no panorama educacional brasileiro, criar uma bolsa de subsistência para estudantes de baixa renda, cujo dinheiro será financiado pela Secretaria do Tesouro Nacional e conferido a discentes com renda familiar mensal menor que 1,5 salário mínimo mediante uma entrevista socioeconômica realizada por um profissional. Dessa forma, a evasão escolar deflagrada pela carência de renda será atenuada. Além disso, as universidades, sejam elas públicas ou privadas, têm o dever de acolher estudantes defasados em matérias, por meio da criação de uma oficina estudantil que trabalhará assuntos do ensino fundamental e médio, indo a favor de uma graduação mais acolhedora e menos evasiva, principalmente nos cursos de exatas.