Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 22/05/2020
Na última década, o Brasil avançou na democratização do ensino superior. A política de cotas em instituições federais e a ampliação de programas como FIES e PROUNI facilitaram às camadas mais fragilizadas da sociedade o acesso ao ensino superior. Porém, cada vez mais estudantes são levados a abandonarem as instituições em função da recente crise econômica, que dificultou a permanência de estudantes mais pobres na graduação e levou ao sucateamento das instituições públicas. Assim, medidas são necessárias para diminuir a evasão universitária no Brasil.
De início, é válido ressaltar que, para o economista Arthur Lewis, a educação é um investimento com retorno garantido. Segundo o ministério da educação, entre o início do PROUNI e o primeiro semestre de 2017, mais de 115 mil alunos abdicaram de suas bolsas. Tal dado alarmante surge como consequência da recente crise, que obrigou os estudantes mais pobres a trabalharem para conseguir sustento, desse modo, muitos acabam tendo que abandonar a universidade em função da necessidade de priorizar o emprego. Logo, é necessário garantir a permanência desses alunos na universidade, uma vez que não há sentido em facilitar o ingresso dessas pessoas na universidade se a permanência for inviável.
Além disso, o sucateamento das universidades públicas vem se tornado cada vez mais gritante, o que leva vários estudantes à desistência. Segundo o ministério da educação, 24% dos estudantes que entram nas universidades públicas acabam abandonando o curso, o que pode ser explicado pelo descaso com o qual esses ambientes de ensino vêm sendo tratados. Em 2019, por exemplo, em função da crise, 30% de toda a verba destinada para os gastos com despesas básicas foi cortada pelo governo brasileiro, o que trouxe variadas dificuldades para essas instituições que já eram deficitárias em questão de infraestrutura. Portanto, é necessário que o governo brasileiro encontre uma maneira de evitar medidas que gerem impactos negativos nas instituições e no ensino dos alunos.
Em vista do conteúdo exposto, é necessário que o Estado encontre uma forma de captar recursos para evitar o agravamento da evasão universitária. Assim, o ministério da educação deve fechar uma parceria com a iniciativa privada, de forma que a verba arrecadada vá para um fundo que pague salários ao aluno cuja renda familiar seja inferior a um salário mínimo e meio, de modo que essas pessoas consigam viabilizar o próprio estudo por meio dessa ajuda financeira adicional. Também, parte dessa verba deve ser repassada para as universidades públicas investirem em infraestrutura e gastos básicos. Desse modo, a iniciativa privada seria beneficiada pelo aumento tanto no número quanto na qualidade dos profissionais, e os estudantes teriam condições de terminar a graduação.