Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 29/05/2020
O romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, retrata a história de Bento Santiago, um jovem que, em busca de melhores condições de ensino, ingressa em um seminário, local que abandona após alguns anos de estudo. A evasão universitária, embora tenha sido reduzida nos últimos anos, ainda é uma problemática na hodiernidade e, por isso, faz-se necessário debater as causas e consequências da questão, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que levam milhares de jovens a optar pelo abandono de cursos, como a ausência de assistência estudantil e a crise econômica, por exemplo. De acordo com dados realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), de todos os alunos que se matricularam em universidades no ano de 2010, apenas 34% concluíram a graduação no curso escolhido. Dentre as desistências, 84,4% eram de alunos matriculados em instituições privadas. Tal dado revela como, com a falta de auxílio às necessidades individuais de cada estudante, muitos não têm outra opção além de abdicar dos seus objetivos, agravando a problemática.
Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências da evasão, como a manutenção de um ciclo vicioso. Muitas vezes, jovens de famílias menos abastadas são obrigados a abandonar seus cursos por razões externas, não conseguindo, assim, encontrar trabalhos bem remunerados, visto que diversas empresas exigem o nível de qualificação necessário. Dessa maneira, continuam na miséria, perpetuando o ciclo. Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Nota-se, portanto, como a ausência de medidas visando ajudar tal grupo pode ser negativa para eles, ao passo que impedem sua educação.
É perceptível, portanto, como a desistência universitária é uma problemática na contemporaneidade, na medida em que impede jovens a conseguir melhores condições de vida. Em vista disso, é imprescindível que o Ministério da Educação auxilie universidades por meio da instituição de programas de tutoria especiais, nos quais profissionais qualificados irão auxiliar os estudantes de acordo com as necessidades de cada um, para que menos jovens optem por abandonar os estudos. Ademais, é necessário que o Governo busque diminuir a incidência do problema por meio de maiores incentivos no setor educacional, como programas de assistência estudantil, para ajudar grupos que não possuem condições. Dessa maneira, será possível minimizar o entrave, para que o drama retratado por Machado de Assis não passe apenas da ficção.