Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 02/06/2020
Paulo Freire, pedagogo brasileiro, evidenciou na ‘‘Autonomia da Educação" sobre a necessidade de ‘’ler o mundo" dos estudantes, com a finalidade de lhes proporcionar um ambiente adequado para o desenvolvimento educacional. Prova disso, é a necessidade, na contemporaneidade, de analisar os desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil. Essa situação, desse modo, evidencia a falta de consonância ante os direitos constitucionais e a realidade exposta, além de reverberar questões de cunho social e econômica como ferramentas para tal cenário.
A priori, o filósofo Henrique de Lima, elucidou, no ‘‘Enigma da Modernidade", que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Nesse sentido, pode-se realizar um paralelo entre a Constituição Cidadã- a qual estabelece o direito ao acesso à educação a todos- e a realidade, a qual demonstra um aumento na evasão de jovens das universidades, seja pela falta de condição de conciliar os estudos com o trabalho, seja pela inoperância do Estado para modificar esse panorama. Dessa maneira, percebe-se, notadamente, a não consonância perante os direitos constitucionais e a realidade factual.
Outrossim, o geógrafo Milton Santos dizia que a globalização é uma fábula, uma vez que as benesses do desenvolvimento econômico são destinadas apenas para os mais abastados. Tanto que, no documentário “A Globalização- vista do lado de cá”, Milton demonstra que a partilha de oportunidades não é equitativa. Nessa perspectiva, a segregação social contribui, significantemente, para que o acesso às universidades e a conclusão da graduação não sejam algo pleno no cenário brasileiro, haja vista que, intuitivamente, os mais pobres, majoritariamente, vivem a margem de uma vida equilibrada socialmente para fomentar a educação. À vista disso, nota-se que questões relacionados, sobretudo, à conjuntura sócio-econômica estão associadas à evasão universitária.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva programas sociais, por meio de verbas governamentais, com o intuito de que os índices, relacionados com a não conclusão da graduação universitária, diminuam. Ademais, é imprescindível que esses programas sejam feitos da seguinte maneira: ampliação do auxílio financeiro para jovens de baixa renda, mediante a realização de um amplo mapeamento que demonstre quais estudantes estão em situação de vulnerabilidade social, além de notificar, com auxílio da mídia, propagandas publicitárias que revelem- mediante a utilização de depoimentos de cientistas sociais- a importância da conclusão da graduação. Dessa forma, resolver-se-ão esses desafios no tecido social brasileiro.