Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 04/10/2020
No livro “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratado um mundo perfeito, cujo corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora do parâmetro ficcional, no entanto, isso não é uma realidade no Brasil, onde os desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária são presentes. Nessa perspectiva, não há dúvidas de que a educação primária defasada, que torna frustrante as dificuldades no ensino superior, e o sucateamento da educação universitária brasileira servem como impulsionadores da problemática.
Precipuamente, é importante destacar a precária educação primária, que alguns alunos enfrentam, como um contribuinte para a evasão universitária. Sob esse viés, segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, a natureza humana é moldada pela sociedade que a rodeia. Nesse sentido, um corpo social que foi adequado a um ensino básico defasado, ao deparar-se com a universidade, que exige conhecimentos prévios que esse aluno não recebeu, ele se sente deslocado e tende a evadir dessa instituição de educação superior.
Outrossim, o sucateamento da educação universitária brasileira age de forma direta no cenário atual. Desse modo, consoante o Ministério da Educação (MEC), cerca de 30% das verbas destinadas às universidades públicas foram contingenciadas. Tal dado corrobora à queda de investimentos na educação superior, gerando, assim, uma falta de professores para algumas aulas e uma má estrutura, ocasionando no abandono por parte de muitos alunos.
Depreende-se, portanto, que a evasão universitária deixe de ser um problema. Dessa forma, cabe ao Governo, por meio do Tribunal de Contas da União, liberar verbas para que, assim, o MEC invista na educação primária, com a disponibilização de materiais aperfeiçoados para as escolas. Simultaneamente, é fulcral que o Ministério da Educação promova a reconstrução dessas sucateadas instituições de ensino superior, por meio do direcionamento de verbas para que elas possam investir internamente com a contratação de mais docentes e a melhoria estrutural, como a construção de salas de estudo e laboratórios. Com isso, aproxima-se do mundo perfeito de More.