Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Com base no pensamento de Paulo Freire, que salienta a importância da educação para que seja possível transformar a sociedade, e a evidente instabilidade do ensino no Brasil, a exemplo dos altos índices de evasão universitária, nota-se a necessidade de solucionar os problemas que culminam no cenário educacional brasileiro. Dentre esses problemas é possível ressaltar a baixa oferta de programas de financiamento estudantil perante a alta demanda, assim como a escassez de acompanhamento pedagógico que auxilie os alunos na escolha do curso adequado.
Em primeiro plano, evidencia-se que o Brasil é um país marcado por desigualdades, e decerto a educação não é poupada, fato que tem raízes históricas, desde a criação das universidades em 1808, quando se instaurou o caráter elitista do ensino superior. Considerando-se que a falta de investimento no âmbito educacional afeta principalmente os indivíduos de baixa renda, reduzindo as suas oportunidades de conquistarem vagas em vestibulares públicos. Somado a isso, há também os preços abusivos cobrados por universidades particulares, que torna o ensino superior algo ainda mais distante de boa parte da população brasileira. Em ambas as situações, a desigualdade econômica no país também têm impacto na vida universitária, uma vez que boa parcela dos alunos tem que conciliar os estudos com o trabalho, necessário para garantir a renda básica para o seu sustento, e acaba tendo que abrir mão do ensino superior por dificuldades econômicas.
Ademais, a incerteza acerca das opções de cursos superiores, que acaba levando muitos jovens a deixarem as universidades, apenas favorece para o aumento dos índices de evasão universitária. Uma vez que a sociedade brasileira é caracterizada pela super valorização de cursos específicos, que muitas vezes leva as pessoas a optarem por faculdades que não lhes interessam, apenas por pressão familiar ou social, almejando o prestígio idealizado dessas profissões, é inevitável que muitos acabem desistindo do curso superior por falta de adequação ou preparo para o mesmo. Além disso, a carência do devido direcionamento e apoio pedagógico nas escolas, que facilite a decisão dos alunos na escolha do curso, também acaba favorecendo a ocorrência de desistências nas universidades.
Em virtude dos fatos analisados, é necessário tomar medidas que alterem esse cenário. Para isso, o Ministério da Educação deve cumprir a sua obrigação de oferecer condições para a promoção da educação, com a criação de novos projetos de financiamento estudantil e a melhora dos já existentes, visando amenizar os impactos econômicos na vida universitária, além de promover a instrução adequada dos professores e pedagogos, de modo a prepará-los para encaminhar os alunos adequadamente na escolha dos cursos superiores.