Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 10/07/2020

O artigo 205 da Constituição Federal visa garantir a promoção e o incentivo à educação, com vista ao desenvolvimento da pessoa para o exercício da cidadania e sua qualificação para  o trabalho. Não obstante, à mercê da inviabilização do acesso ao ensino superior por uma miríade de pessoas, a julgar pela crise socieconômica vigente que corrobora a precariedade no ensino básico,  aliado à inadimplência do governo em disponibilizar verbas para o aprimoramento do sabersão universitária torna-se consolidada, sendo entrave para a ratificação da referida lei.

Em primeira instância, a acessibilidade do ensino é fator mister para o refinamento do saber, de forma que a genuinidade de cada sujeito, para  o exercício de seus direitos frente à comunidade, seja construída. Em contrapartida, segundo o sociólogo prussiano Karl Max,  “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem e, sim, limitados pelas condições materiais e históricas de sua existência”. Paralelo a isso, à mercê do desequilíbrio financeiro que assola a maior parte dos indivíduos, a aquisição da formação torna-se parte de um futuro longínquo, haja vista que muitas pessoas acabam abandonando seus cursos. Ademais, a dificuldade em assimilar novas ideias que, com a deficitária qualidade do ensino prévio, parecem não fazer sentido, acaba por desestimular os sujeitos, levando-os a pensar que são incapazes de aprender.

Em segunda instância, o investimento em educação é o calcanhar de Aquiles para  o progresso e, o desmazelamento para com esse dever, corrobora a estagnação da comunidade. Nesse âmbito, sob lentes do educador Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse sentido, o corte financeiro por parte das superintendências para com as universidades públicas, ocasiona sua incapacidade em auxiliar os estudantes vulneráveis ante à permanência na instituição, fazendo com que a viabilização da aquisição do conhecimento, direito inalienável, seja parte de uma utopia. Outrossim, como consequência do desmazelamento para com a evasão universitária, é desencadeada a perca de perspectivas de empregabilidade por parte dos sujeitos, transformando os direitos dos indivíduos em “cidadania de papel”, assim intitulado pelo escritor Gilberto Dimenstain, dado que estes não  são materializados, urgindo a resolução desse impasse.

Sendo assim, compete ao Ministério da Economia, em conjunto ao Ministério da Educação, arrecadar verbas, enviadas às universidades públicas, para o auxílio transporte e alimentação, bem como à indivíduos inseridos em instituições privadas, mas em estágio de vulnerabilidade financeira, a fim de garantir sua permanência e conclusão do curso.mediante aumento dos impostos de empresas privadas, o qual deve ser proposto, em caráter emergencial, na Câmara Legislativa.