Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 18/07/2020
De acordo com o economista britânico Sir Arthur Lewis, a educação não é despesa, e sim investimento com retorno garantido, sendo espelhado na formação de cidadãos comprometidos com o desenvolvimento nacional. Paradoxalmente a isso, ao analisar o contexto das universidade brasileiras, é perceptível o alto índice de crescimento da evasão acadêmica. Conforme o censo de 2016 do INEP 15% do alunos matriculados nas faculdades públicas não retornaram aos seus cursos, sendo 50% dos casos registrados no primeiro semestre. Tal verdade é revelada pela base de aprendizagem escassa no ensino médio e pela necessidade de alguns estudantes de trabalhar para aumentar a renda familiar. Dessa maneira, um plano de ação eficiente é necessário para reverter o cenário hodierno.
A priori, cabe abordar que o desapreço governamental ao fornecer recursos para um bom suporte educacional no colégio funciona como obstáculo para o avanço socioeducativo, posto que o pouco investimento em tal área desencadeia a falta de conhecimento intelectual necessário para o rendimento de um bom ensino superior. Em consonância com estudos de 2016 da “Education at a glace”, o gasto do Governo por aluno na rede pública brasileira foi menos da metade do valor investido em países desenvolvidos, sendo que foram aplicados aproximadamente 4 mil dólares no segundo grau do Brasil e em torno de 10 mil dólares em nações com maiores índices de desenvolvimento. A partir desse pressuposto, são imprescindíveis medidas que aumentem o orçamento nacional no âmbito acadêmico.
Ademais, é crucial compreender que, a conciliação entre trabalho e estudos é empecilho para a diminuição do desvio no ensino superior no território tupiniquim, se tornando um divisor de prioridades na vida do cidadão. A série brasileira “Segunda Chamada”, dirigida por Joana Jabace, se passa em uma escola pública, e é possível perceber os dilemas enfrentados pelos alunos, como o personagem Maicon, que se vê na obrigação de trabalhar para manter sua família financeiramente, porém percebe a importância de estudar para garantir um bom futuro para seus filhos. Tal realidade não se limita apenas na ficção, visto que é um obstáculo enfrentado por muitos no país. Assim, urge que medidas sejam implementadas para alterar o cenário atual.
Fica evidente, portanto, após considerar a negligência das autoridades e as dificuldades socioeconômicas e educativas de muitos que integram o corpo discente no país, a influência destes no aumento da evasão universitária no país. À vista disso, é imperioso que o Ministério da Educação e o Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Planejamento, aumentem a parcela destinada à infraestrutura colegial e auxiliem alunos com dificuldade financeira por meio de programas sociais. Com tais implantações, tais problemas serão uma mazela passada na História do Brasil.