Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 03/08/2020
A educação é um direito de todo cidadão, segundo o artigo seis da Constituição brasileira de 1988. Entretanto, após mais de trinta anos da promulgação dessa máxima, o acesso ao ensino não é garantido a todo brasileiro, principalmente a formação superior. Essa realidade é um problema, já que o sucateamento do ensino público, unido ao cenário de crise econômica, elevam os índices de evasão universitária nacionais. Dessa forma, é necessário examinar esse ambiente desfavorável à sociedade.
Em primeiro lugar, deve-se destacar que a educação de base -ensinos fundamental e médio- não possui estrutura física e pedagógica satisfatórias para a continuidade instrutiva do jovem, pois a ausência de laboratórios que unam teoria e prática, além de uma grade curricular desatualizada, geram o baixo domínio desse currículo. Tal afirmativa é comprovada quando se analisam os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), em que cerca de 60% dos participantes não obtêm notas mínimas necessárias para o acesso à universidade -pública ou privada-, segundo o Ministério da Educação (MEC). Nesse sentido, observa-se que o caminho para se alcançar uma vaga no ensino superior torna-se inviabilizado e, uma minoria de discentes que alcançam essa posição, enfrentarão diversos obstáculos até uma possível conclusão dos estudos. Trata-se, portanto, de um infortúnio que envolve o descaso governamental.
Outrossim, vale ressaltar que a contínua crise financeira intensifica e perpetua os índices de evasão acadêmicos. Nessa conjuntura, pode-se observar que os custos de uma universidade privada são onerosos, devido a mensalidades altas, e o cenário atual não permite que classes menos abastadas usufruam desse direito pago. Além disso, as universidades públicas também não são acessíveis, pois não estão localizadas de modo a atender toda a população, fato que eleva os gastos com moradia e permanência. Sendo assim, como proposto por Jessé de Souza, no livro A Elite do Atraso, as necessidades básicas, como educação, não são prioridades na América do Sul. Essa situação evidencia os problemas sociais vigentes hoje, pois a falta de empregabilidade é reflexo da escassez de mão de obra especializada, o que alavanca as desigualdades entre os brasileiros.
Portanto a fim de se reduzir os índices de evasão universitária, o Governo Federal, em conjunto com as instituições privadas e grupos financeiros, deve aumentar as linhas de crédito para financiamento estudantil e criar bolsas de manutenção para alunos carentes. Tal ação pode ser feita por meio de parcerias, em que todos terão participação nos lucros obtidos em novas patentes geradas nas universidades. Ademais, essa parceria deve ser estendida às escolas de base, numa reestruturação da grade curricular e do espaço físico das mesmas, no intuito de garantir a educação de qualidade.