Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 05/09/2020

De acordo com o professor Paulo Freire, a educação é capaz de emancipar o homem da dominação dos grupos vigentes, fato importante para concretizar a liberdade de pensamento e expressão ampla dos indivíduos. A consolidação dessa visão é dificultada pelos altos índices de evasão universitária do Brasil, que impede a solidificação de uma sociedade justa e igualitária. A resolução dessa conjuntura se mostra um desafio a ser discutido, uma vez que está ligado à falta de comprometimento do Estado com a educação e pela continuidade das desigualdades no Brasil.

A princípio, é notável a falta de atuação eficiente dos governantes para a fixação do aluno na faculdade. Isso é perceptível ao tomar dados do INEP (Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa educacional), os quais mostram que cerca de 25% dos estudantes de universidades privadas desistiram do curso no primeiro semestre de 2017, devido à falta de auxílios, como bolsas universitárias. Esse panorama tende a se aprofundar , visto que com a Emenda 95, o teto de investimento na educação diminuiu,o que dificulta que estudantes consigam o apoio , por exemplo financeiro, para concluir os estudos em faculdades particulares. Nessa perspectiva, é inegável que o Estado falta com sua função,

uma vez que a Constituição Federal de 88 garante os meios de auxílio para um ensino amplo e de qualidade.

Outrossim, é evidente que a desigualdade social promove uma maior evasão dos cursos superiores.

Tal visão é comprovada ao observar pesquisas feitas pela professora universitária Dyane Brito Reis, as quais mostram que em 2017 mais de 100 mil jovens abandonaram a faculdade por não poderem deixar de trabalhar. Essa realidade é preocupante, pois evidencia que uma parcela da sociedade ,que já é marginalizada por sua condição econômica, não possui meios eficientes de se profissionalizar e alcançar melhores salários. Esse cenário de desigualdade crônica dialoga com a obra “Casa-Grande e Senzala” do escritor Gilberto Freyre, que mostra a existência da servidão das camadas carentes desde a colonização, fato que ainda ocorre, pois não há uma fixação homogenia dos alunos nas faculdades.

Portanto, para que a visão de Paulo Freire seja concretizada, é fundamental que os níveis de evasão universitária sejam diminuídos. Para isso, cabe ao Governo Federal, fornecer aos estudantes condições de renda, moradia e alimentação, por meio de programas federais de maior abrangência , como bolsas , acesso à repúblicas e auxílios financeiros, a fim de estabilizar o aluno até a conclusão do curso superior. Ademais, é papel da Sociedade cobrar medidas para a diminuição das desigualdades no país, ao demandar dos governantes uma maior atuação no combate à miséria e pobreza, para que um maior número de indivíduos consiga  se manter em uma universidade.