Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 17/09/2020
A obra cinematográfica “Muita calma nessa hora”, produzida pela Agência Nacional de Cinema, elucida a indecisão da personagem Aninha em escolher uma profissão exata, mesmo após mudar várias vezes de curso. Analogamente, fora das telas, a evasão nas universidades aumenta anualmente no Brasil. Nesse sentido, seja pela intensa desassistência jovial no ingresso acadêmico ou pelo elevado custo da educação nacional, o abandono universitário atrapalha o desenvolvimento da pátria e carece de cuidados.
Previamente, é necessário salientar o despreparo dos alunos para entrar no ensino superior e suas causas. À medida em que a Terceira Revolução Industrial instaurou-se, o mercado de trabalho e a forma de desempenho profissional alteraram-se na mesma proporção. Assim, a falta de acompanhamento vocacional nas escolas, somado à ignorância dos mais novos a respeito das mudanças empregatícias faz com que muitos optem por uma carreira e desistam, como narrado na cinematografia brasileira. De acordo com a Classificação Estatística e Internacional de Doença (CID), o “Burnout” (insegurança sofrida no meio universitário) já é um fato no Brasil. Desse modo, a assistência psíquica é essencial para promover segurança e certeza sobre os rumos profissionais traçados.
Ademais, as disparidades socioeconômicas também refletem na probabilidade de estudantes permanecerem ou retirarem-se da faculdade. Segundo o filósofo Pierre Bourdieu, a educação caracteriza-se como uma forma de reprodução de poder no mundo contemporâneo. Dessa maneira, o baixo número de bolsas assistenciais e as elevadas mensalidades de universidades privadas justificam a evasão universitária. Inquestionavelmente, o gasto instrucional parece ser um estorvo e não investimento para o setor público. Logo, alterar essa ótica e oferecer maiores recursos aos estudantes é fundamental para possibilitar que permaneçam.
Portanto, ações são necessárias para garantir o futuro do país e diminuir a desistência acadêmica. Nesse viés, instituir a obrigatoriedade de palestras mensais com psicanalistas vocacionais, nos níveis médios de ensino, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional e fazendo uso da verba da Secretaria Nacional de Trabalho, é imperioso a fim de guiar os estudantes na escolha da profissão e possuir bons profissionais posteriormente. Além disso, aumentar o contingente de bolsas financeiras — Em universidades públicas — e de bolsas de estudo — em universidades privadas — por intermédio do maior destino de finanças ao Superministério da Educação e, assim, fortalecer o Programa Universidade para Todos é indispensável no intuito de promover a permanência dos alunos. Apenas assim evitaremos que o ensino perpetue desigualdades, como teorizado por Bourdieu.