Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 24/09/2020

Na obra pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, é provável que o major desejasse reduzir o índice de evasão universitária no país. Esse cenário perdura, principalmente, pela inobservância do Estado somada à postura conivente dos cidadãos já familiarizados com o problema.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988 garante vida digna de qualidade a todos os cidadãos, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que a falta de assistência estudantil e o sucateamento das universidades públicas brasileiras, tornam inviável a permanência dos estudantes de família baixa renda no âmbito acadêmico. Nesse sentido, na teoria do Estado da sociedade de Émile Durkhein, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Outrossim, nota-se que aceitar a evasão universitária é banalizar o mal. Segundo o Índice Integrado de Desenvolvimento Social, lançado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, 51,3% dos discentes já questionaram em algum momento se compensa finalizar o curso, mesmo com pouca capacitação.  A precariedade que sustenta essa visão disseminada por ideias e hábitos culturais que valorizam mais o trabalho do que a capacitação acadêmica pode comprometer o entendimento da realidade em que o indivíduo está inserido, dificultando a conquista da cidadania plena. Porém, parte da sociedade tem aceitado esse quadro crítico sem questionar. Destarte, a naturalização desse problema pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah arendt, visto que, devido a um processo de massificação, as pessoas estão perdendo a capacidade de discernir o certo do errado.

Torna-se evidente, portanto, que ações sejam efetivadas para combater a evasão universitária. Em razão disso, a fim de amenizar as dificuldades econômicas do aluno, o Governo, em parceria com as instituições de ensino superior, deve estabelecer diretrizes para manter o aluno na graduação, isso pode ser feito com a criação de novos programas de auxílio, manutenção dos programas existentes. Além disso, as ONG’s devem desconstruir a visão valoriza o trabalho em detrimento do ensino superior, por meio de postagens em redes sociais - como Instagram, que possui ampla visibilidade social -, com o fito de motivar os discentes a continuarem na graduação para crescimento do país.