Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 18/11/2020

As primeiras Universidades fora da Europa foram criadas na América Espanhola, ainda no século XVI, poucos anos após a chegada dos primeiros colonizadores. Em contrapartida, a despeito da existência dos cursos de direito e medicina, voltados para a formação da elite local, até o início do século XX o Brasil não possuía Instituições de Ensino Superior, época em que foi criada a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa realidade evidencia um descaso histórico com o ensino acadêmico no país, que hoje se manifesta por meio de elevados índices de evasão universitária, pronunciado pelo caráter elitista do ensino e pela falta de investimentos nas instituições públicas.

Em primeira análise, importa ressaltar que a educação superior surgiu para atender a elite, e mesmo com a recente adoção de ações afirmativas e políticas de financiamento estudantil, ainda não houve democratização desse ensino. Nesse sentido, a evasão acadêmica tem taxas elevadas porque muitos estudantes precisam trabalhar para arcar com as mensalidades e com os custos do material, e a longo prazo surgem dificuldades para conciliar a rotina do emprego com o horário das aulas. Tais dificuldades estimulam o abandono da Academia pelos alunos que não tem um suporte financeiro familiar, pois o caráter elitizado do ensino superior não atende às demandas diversificadas da comunidade acadêmica. Assim, perpetua-se a desigualdade de acesso ao ensino superior, pois faltam políticas de assistência estudantil que garantam não apenas o ingresso, mas a permanência no curso.

Em segunda análise, os recentes cortes no orçamento do Ministério da Educação e, consequentemente, nas verbas repassadas para as instituições públicas de ensino superior, contribuem para a desistência da graduação. Isso ocorre porque a falta de investimentos no ambiente acadêmico reflete na vida estudantil, a exemplo da redução das bolsas de iniciação científica, que ajudam o estudante a se sustentar. Nessa lógica, a omissão estatal impede a efetivação de direitos fundamentais e prejudica a formação de profissionais, pois de acordo com estudo de pesquisadores das três grandes universidades públicas paulistas, o investimento no ensino superior público, apesar de alto, retorna como lucro para sociedade.

Portanto, é urgente que os índices de evasão universitária sejam reduzidos. Isso pode ser feito por meio de programas de tutoria especial, financiado pelo Governo Federal, com coordenação do Ministério da Educação, voltado para alunos que trabalham e estudam, a fim de ajudá-los na adaptação ao curso, a partir do auxílio de alunos que serão tutores. Além disso, é importante fortalecer os programas assistenciais, com bolsas para os estudantes de baixa renda, incentivando a formação de profissionais. Dessa forma, será dado passo significativo na democratização do ensino superior.