Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 19/11/2020

Em sua obra “Utopia”, Thomas More discorre sobre uma sociedade ideal e os meios para alcançá-la, dentre eles, a possibilidade irrestrita e facilitada de acesso à educação formal. Decerto, a obra do filósofo inglês vai de encontro a atual realidade brasileira, na qual fatores como os altos custos de uma graduação e a pressão social dificultam o exercício da busca pelo conhecimento e, portanto, devem ser combatidos.

Em primeira análise, pontua-se sobre os gastos exorbitantes ocasionados pelo ingresso no ensino superior e sobre a insuficiência das bolsas ofertadas. No Brasil, diversas universidades atuam no campo econômico de seus estudantes, oferecendo auxílios e ajudas financeiras na tentativa de facilitar a permanência dos alunos nos cursos. Mesmo assim, segundo dados do “Big Mac Index”, os custos de vida no país são altíssimos, e contrastam gravemente com os valores oferecidos pelas faculdades. Também, várias são as instituições que colocam empecilhos ainda maiores: o edital dos maiores órgãos de pesquisa no país, como a FAPESP, CNPq e Capes, proíbe que seus beneficiários exerçam qualquer atividade profissional quando estão recebendo suas bolsas, ou seja, ou o aluno trabalha ou vive do auxílio ofertado, não há concomitância de atividades. Portanto, evidencia-se uma sociedade que fica refém dos custos de vida em detrimento da sua educação formal.

Além disso, mesmo quando esses custos são superados, o preço a ser pago é outro: o psicológico. Com uma grade curricular obrigatória que, segundo o MEC, exige a formatura no ensino médio, espera-se que a maior parcela dos brasileiros se forme até os 18 anos. Se por um lado esse período educacional proporciona novos conhecimentos, por outro, a pressão social que vem com o fim do segundo grau é um revés. Induzidos a escolher um curso universitário no início de sua vida adulta, muitos jovens optam pela opção oferecida pelos pais ou, mesmo quando tomam a decisão sozinhos, não tem plena certeza sobre a área do conhecimento que desejam exercer, aumentando suas chances de evadir da graduação. Dessa maneira, explicita-se que uma comunidade familiar e social que impele o jovem recém formado do ensino médio ao terceiro grau, o que culmina em decisões precipitadas e que, futuramente, podem ocasionar a evasão universitária.

Em suma, observa-se que os custos exorbitantes e decisões precipitadas ocasionam aumento no índice de evasão. Assim, cabe ao MEC, órgão responsável pela organização educacional no país, a ampliação de novas bolsas aos alunos universitários por meio de investimentos nas universidades — públicas e privadas — para que o número de estudantes que evadam do terceiro grau venha a decair. Só assim, a realidade de More transporá as páginas do livro.