Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 01/12/2020
É incontrovertível a necessidade de ir de encontro à problemática da evasão universitária em questão no Brasil. Acerca disso, a dificuldade que os matriculados têm em acompanhar os assuntos da grade curricular universitária, motivada pela ineficiência no ensino básico, é apenas uma das diversas causas que conduziu a atual situação crítica de abandono do ensino superior. Não obstante, problemáticas como a inadimplência, fruto do alto custo das universidades privadas, corroboram para a manutenção desse quadro deletério, o que torna claro a necessidade de medidas estratégicas para superar os impasses sociais, e consequentemente, o cenário de abandono da graduação.
Em primeiro lugar, o conceito de “Cidadão de Papel”, postulado pelo escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, revela que a efetivação da cidadania, e, consequentemente, da democracia, só é possível quando há o exercício pleno dos direitos sociais previstos pela Constituição, bem como o direito de acesso ao ensino de nível superior. Nesse sentido, nota-se que a sociedade brasileira, decerto, tem ido de encontro ao conceito de “cidadania de papel”, visto que, devido a impasses da esfera social e econômica, matriculados encontram dificuldades na manutenção da vida acadêmica, ora pela deficitária bagagem escolar de nível básico, ora pela inviabilidade de custear as mensalidades, o que revela, portanto, a limitação na concretização desse direito e as fragilidades dessa cidadania.
Como desdobramento dessa temática, é válido ressaltar que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso à educação de qualidade é direito inalienável de qualquer pessoa, impondo-se ao Estado e ao Poder Público, o dever de assegurar essa legislação. Nesse sentido, de acordo com o artigo 6° da Carta, o acesso à educação básica, apta a oferecer uma formação completa, deve ser respaldado por ação governamental. O que se nota, pois, na realidade, é a inoperância desse governo, visto que, as fragilidades do ensino básico e o baixo nível com o qual os estudantes se formam encontram-se como desmotivadores para o ingresso e a permanência desses alunos na universidade.
A fim de reverter esse cenário problemático, urge que o Estado, juntamente ao Ministério da Educação (MEC), atue no deletério cenário de inadimplências das universidades privadas. Nesse aspecto, seria eficaz a concessão da ampliação da ampliação de concursos de bolsas parciais ou totalmente gratuitas, com o fito de motivar alunos de baixa renda a dar continuidade na formação acadêmica. Ademais, é imperioso que membros do Ministério da Educação, como economistas e reitores, conclame ao Estado e ao Poder Público uma melhor gestão e direcionamento e verbas repassadas à educação, de modo a aumentar os investimentos na infraestrutura e na qualidade do ensino básico, para assim fomentar a permanência desses alunos no ensino superior.