Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Na obra " Brasil: uma biografia “, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania, tendo em vista que apesar dos brasileiros possuírem o acesso à educação como direito constitucional, a crise econômica, associada a ineficiência do ensino de base, faz com que seja elevado o índice de evasão universitária. Nesse sentido, tal evasão suscita uma discussão acerca dos seus impactos para a sociedade e dos desafios que se apresentam no enfrentamento dessa problemática.

Em primeiro plano, é relevante destacar o papel transformador da educação não só a nível individual, mas, de modo generalizado, social. De acordo com o educador brasileiro, Paulo Freire, " a educação não transforma o mundo, a educação muda as pessoas e as pessoas transformam o mundo “. A partir disso, observa-se que a importância da formação superior nas universidades vai além da qualificação profissional do estudante, mas impacta na formação moral e cívica, mediando as relações entre os membros da sociedade civil e cultivando uma consciência coletiva. Entende-se, então, a evasão universitária como um efeito desagregador que interrompe tal processo e impede a formação de coesão social entre entes que não mais são unidos.

Outrossim, vale salientar que o Estado é responsável pelo ensino básico no país e que o baixo nível com o qual os estudantes se formam nas escolas desmotiva o ingresso e a permanência nas universidades. Isto posto, é válido retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que diz que o sol jamais enxergará a sombra, por serem incompatíveis. Sob esse viés, ao comparar a luz solar com o esforço governamental em envidar esforços e articular a melhoria das escolas públicas, percebe-se que o mal seria gerido pela raiz. Dessa forma, a sombra, ou " status quo " (estado atual), aos poucos perderia força e cederia espaço ao progresso, caso a luz brilhe com mais intensidade.

Em suma, medidas são necessárias para atenuar a problemática supracitada. Para tanto, urge às Secretarias Municipais de Educação em conjunto com as escolas, promover testes vocacionais e palestras com vistas em ambientes de trabalho, por meio de projetos extracurriculares, a fim de familiarizar os estudantes com as múltiplas profissões, assim, ele estará mais confiante na escolha de seu curso e menos propício a abandonar a universidade. Ademais, cabe ao Governo Federal, mediante subsídios tributários, ampliar os investimentos na construção e infraestrutura de escolas públicas do ensino básico, de modo a incentivá-los a chegarem mais preparados ao ensino superior. Dessa maneira, a cidadania será gozada por todos de maneira plena e os princípios da Magna Carta efetivados.