Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 04/01/2021

Na obra “O triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor pré-modernista Lima Barreto, é retratado um protagonista cuja principal característica é um nacionalismo ufanista, que idealiza um Brasil livre de problemas socias. Contudo, para além da ficção, percebe-se que o Brasil hodierno se afasta do imaginado pela personagem, tendo em vista os desafios para a diminuição da evasão universitária no país. Desse modo, convém analisar os aspectos que causam a problemática, como a negligência pública e a indisponibilidade de instituições interioranas.

É importante pontuar, a princípio, a ineficiência do Estado como um dos impasses para o combate da evasão universitária. Nesse sentido, de acordo com a Constituição Federal, em seu artigo quinto, é dever do Estado garantir o acesso igualitário à educação e diminuir as desigualdades sociais. No entanto, isso não tem se concretizado na realidade, uma vez que muitos cursos ofertados por universidades públicas são ministrados em período integral, o que impossibilita o acesso por indivíduos de baixa renda, os quais precisam não só estudar, mas também trabalhar. Assim, é notório o descaso governamental com o ensino superior brasileiro, que se torna elitizado e excludente das classes populares.

Além disso, convém ressaltar, ainda, que a concentração das faculdades em regiões metropolitas favorece o abandono do ensino superior. Nesse viés, segundo dados divulgados pelo IBGE, cerca de 29% dos estudantes de nível superior saem de suas cidades para estudar. Sendo assim, vê-se que, por falta de opções em seus municípios de origem, muitos alunos precisam se deslocar para outras regiões em busca do ensino em uma universidade, mas, por falta de incentivo governamental e recursos para moradia e locomoção, acabam abandonando o curso. Diante disso, percebe-se a configuração de um cenário pouco democrático para a educação do Brasil, já que facilita a exclusão de uma grande parcela da população de um direito fundamental.

Dessa maneira, é crucial a superação de tais empecilhos, para que se diminua a evasão universitária no Brasil. Destarte, o Ministério da Educação deve alterar as cargas horárias de cursos integrais em universidades públicas, de forma que as aulas sejam ministradas em apenas um turno, para que os alunos possam ter a opção de trabalharem no período em que não estão estudando e mais indivíduos tenham acesso à universidade. Ademais, o governo federal deve desenvolver um projeto de democratização do ensino superior, por meio de construção de novas instituições em regiões interioranas dos estados, além da contratação de docentes e profissionais da área, de forma que as pessoas não precisem migrar para outras cidades em busca de ensino. Com efeito, haverá a diminuição da evasão universitária no país, e o Brasil se tornará mais digno do ufanismo de Policarpo Quaresma.