Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 04/01/2021

Paulo Freire escreveu, em sua “Terceira Carta Pedagógica”: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, ou seja, a educação faz parte da base do desenvolvimento de um país. Porém, no Brasil, a educação não ocupa o lugar transformador que lhe é conferido, o que significa o difícil acesso e permanência dos jovens nas instituições públicas de ensino superior. Desse modo, a falta de investimentos estruturais e sociais não contribuem para a formação educacional dos estudantes no país.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o descaso estrutural dos locais de ensino e a falta de investimentos na formação de professores propicia o desestímulo dos estudantes. Acerca disso, percebe-se uma maior evasão nos cursos de licenciatura, pois a desatenção é melhor percebida por aqueles que se interessam, inicialmente, pela área. Assim, a falta de estrutura e incentivo interrompe a escolha da profissão a ser seguida pela incerteza de um futuro promissor e, ainda, por dificuldades em acompanhar as aulas devido ao reflexo da própria formação deficitária dos educadores e, em consequência, dos alunos. Segundo dados do Ministério da Educação, em 2018, 15% dos estudantes abandonaram seus cursos superiores , a maioria na área de licenciatura. Logo, o investimento e a valorização dos cursos que formam educadores devem ser, urgentemente, realizados para a manutenção e a transformação da educação no Brasil.

Em segundo lugar, a falta de políticas públicas eficientes que auxiliem a população impede que vários jovens continuem nas universidades e busquem empregos para a própria sobrevivência e de seus familiares. Sendo assim, sem o apoio de políticas sociais que beneficiem os estudantes de baixa renda, uma vez que estes são a maioria nos cursos de licenciatura segundo dados da Unesco no Brasil e da Fundação Carlos Chagas (em 2014, 61,2% dos estudantes tinham renda de até três salários mínimos), o futuro da educação atingirá patamares ainda mais críticos, visto que, o número escasso de professores não será sufuciente para cobrir a demanda educacional do país, resultanto em um desenvolvimento fraco que não reflete o potencial brasileiro.

Portanto, a problemática da educação no Brasil deve ser, urgentemente, discutida. Para tanto, o Ministério da Educação deve, em conjunto com o Poder Executivo, desenvolver e investir em projetos para a manutenção da qualidade do ensino das universidades. Para isso, investimentos em programas de iniciação científica e de docência, como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e o Programa de Educação Tutorial (PET), devem ser mantidos e ampliados como uma forma de incentivo e continuidade dos jovens nas universidade e na manutenção do futuro do país.