Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 12/01/2021

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância dos direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão da evasão universitária, verifica-se uma lacuna na manutenção do direito à educação, o que configura um grave problema. Nesse sentido, estratégias precisam ser criadas para alterar essa situação, que tem como causa a baixa renda dos estudantes e gera um gasto público inutilizado.

Em primeira análise, é imprescindível atentar para a dificuldade financeira dos alunos presente no abandono universitário. Nessa perspectiva, constituiem entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III - erradicar a pobreza e a marginalização. Sob essa óptica, observa-se a falha constitucional configurada no Brasil, visto que para grande parte dos estudantes o curso superior ainda é uma forma privilegiada de ascensão social, devido a carência de renda para cursar esse ensino. Prova disso é quem segundo dados do IBGE, em 2016, um quarto da população brasileira vive com menos de 400 reais por mês. Dessa forma, aqueles pertencentes a classe desfavorecida, que conseguem ingressar na universidade, possuem dificuldades para se manter nela, agravando a evasão do ensino superior.

Ademais, o abandono das matrículas universitárias traz prejuízo financeiro ao governo brasileiro. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2016, a média de custo de um aluno em universidade federal é de 3 mil reais por mês, totalizando mais de 35 mil reais ao ano. Sendo assim, o fato de não ter estudante é custo, visto que a instituição está pronta para ele. Desse modo, se um indivíduo evade no primeiro ano, deixa de contribuir pelos próximos quatro e o Estado perde o dinheiro investido nele. Haja vista essa problemática, dados do censo do MEC confirmam que, em 2009, o país perdeu 9 bilhões de reais com desistência do ensino superior, obtendo um grave dano econômico.

Torna-se evidente, portanto, que a evasão universitária é um desafio que necessita de intervenção. Como solução, cabe ao MEC regular as políticas de auxílio que dão assistência aos alunos de baixa renda, de maneira a distribuir adequadamente esse recurso. Isso pode ser feito por meio de estudos da situação financeira dos estudantes com dificuldade econômica, promovendo entrevistas e visitas sociais a domicílio. Esses estudos devem ser feitos por docentes pedagógicos especializados em serviço social. Com essa intervenção, será possível fornecer verba para os alunos conseguirem se manter no ensino superior, reduzindo a evasão universitária. Por fim, espera-se promover uma melhora no que tange o alto índice de abandono do ensino superior.