Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 03/04/2021
De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é direito de todos e dever do Estado, visando o pleno desenvolvimento do indivíduo, seu preparo para o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No contexto atual, entretanto, a crise econômica vigente no Brasil e a defasagem no ensino básico têm sido obstáculos para a inserção e o progresso de muitos indivíduos no meio acadêmico. Desse modo, de forma a efetivar o texto constitucional, ações governamentais são imprescindíveis para promover a qualidade e o acesso ao ensino superior, evitando, assim, maiores índices de evasão universitária.
A princípio, cabe elucidar a deficiência no ensino escolar como um fator que influencia a evasão universitária. Evidentemente, o sistema educacional brasileiro conduz a formação de indivíduos com o enfoque em boas notas e aprovações em vestibulares, deixando-os despreparados para identificar a sua vocação e profissão, e, ainda, incapazes de acompanhar as exigências e complexidades de uma graduação. Dessa forma, os estudantes são impactados pela frustração no ambiente universitário, resultando no egresso de muitos deles. Segundo o Ministério da Educação, somente 8% dos alunos do ensino médio estão inseridos em programas vocacionais, reforçando a necessidade de uma reforma no sistema de ensino a fim de melhorar os indicadores do ensino superior.
Posteriormente, pode-se afirmar que a recessão econômica é um agravante dessa questão. De fato, essa situação causou a diminuição da atividade financeira no país, refletindo negativamente nos investimentos governamentais e no poder de compra do cidadão brasileiro. Como consequência disso, por meio do decreto 9.741/19, a área da educação sofreu o bloqueio de 5,82 bilhões de sua verba, prejudicando, profundamente, a performance das universidades públicas e a continuidade de seus alunos no processo acadêmico. Assim, urge a intervenção do governo federal para reverter o sucateamento da educação, evitando o afastamento dos indivíduos desse direito fundamental.
Por fim, é dever do Ministério da Educação promover a reforma da matriz escolar, por meio da implantação de disciplinas vocacionais, que permitam o contato do aluno com diversas profissões e habilidades, com o objetivo de prepará-lo para o ingresso consciente na universidade. Ademais, é crucial que esse mesmo agente reverta o corte de verbas das instituições públicas de ensino, devido à primordialidade de seus serviços à sociedade brasileira. Deve ser proposto, em caráter emergencial na Câmara Legislativa, o aumento dos impostos de grandes empresas privadas, tendo em vista a contemplação das necessidades financeiras da área educativa. A partir dessas considerações, será possível cumprir o texto da lei, assegurando uma trajetória completa de conhecimento para todos.