Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 26/04/2021

O desenvolvimento de uma nação, está intimamente relacionado à educação. Na Grécia Antiga, por exemplo, o nascer da filosofia ocorreu concomitantemente ao surgimento das pólis, momento marcado por reorganização política grega, aumento populacional e novas formas de conhecimento. Analogamente, no Brasil hodierno, os altos índices de evação universitária são reflexo da crise a qual o país enfrenta. Dessa forma, diversos âmbitos adjacentes são afetados, gerando sucateamento de instituições de ensino e pobreza, dificultando, assim o permanecimento do aluno na faculdade. Logo, é mister analisar causas e consequências desse desafio, bem como encontrar caminhos para minorá-lo.

Em primeiro plano, sob a perspectiva da inoperância governamental, ao observar vertentes de compreensão do absentismo universitário, nota-se que  a falência do preparo anterior dos estudantes _ no ensino médio e fundamental _ para as exigências acadêmicas é relevante. Nesse viés, é sabido que a Constituição Federal de 1988 garante ao cidadão o acesso pleno a educação de qualidade e, no entanto, muitas vezes, o sistema de ensino vigente não motiva o indivíduo a desenvolver pensamentos críticos e visão holística acerca de determinados temas, requisito que é demasiadamente abordado no ensino superior. Assim, o aluno fica incapacitado de prosseguir, pois o auxílio que lhe foi dado anteriormente o impossibilita de concluir seu curso. Além disso, é importante salientar que o medo da alta concorrência trabalhista, a inadimplência e a falta de apoio psicológico são fatores  relevantes.

Outrossim, tendo em vista os desafios socioeconômicos enfrentados pelo brasileiro, atualmente, percebe-se que muitas pessoas tem de escolher entre o estudo e trabalho, sendo este mais urgente que aquele. Dessa maneira, à luz da perspectiva do sociólogo Johan Galtung, segundo o qual a violência estrutural é o exercício pelas estruturas sociais que impedem o indivíduo de desenvolver suas potencialidades, percebe-se que desde o momento em que o estudante perde o seu direito à educação por questões como não ter dinheiro para se locomover até o centro de ensino, alimentar-se ou ter que abdicar dos estudos para trabalho, este está sofrendo um tipo de violência velada que deve ser discutida e mitigada para que esse óbice seja vencido.

Por tudo isso, o Ministério da Educação, em parceiria com o Ministério da Economia, deve ampliar projetos de auxílio financeiro estudantil, expandindo os níveis de carência, por meio da arrecadação de verbas e do direcionamento de parte do Produto Interno Bruto para universidades públicas com o intuito de minimizar as dificuldades e a violência estrutural que essas pessoas sofrem. Ademais, cabe, ainda, ação melhorias na educação de base para que não hajam lacunas quando o indivíduo ingressar no ensino superior. Assim, os desafio para o combate de evasão universitária poderão ser atenuados.