Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 08/05/2021
A discussão de assuntos voltados à educação é de fundamental importância para a construção de uma sociedade com maior grau de equitatividade. Nesse contexto, destacam-se os desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil, visto que essas porcetagens encontram-se elevadas. A priori, é importante destacar que na nação há um déficit estrutural de investimento em educação, gerando o sucateamento das instituições públicas de nível superior. Ademais, observa-se que o caráter mercantilista educional tornou-se barreira para o pertencimento e permanência nas instituições de nível superior.
Inicialmente, vê-se que a educação formal no Brasil foi construída historicamente à uma parcela aristocrata da população, desconstruir essa estrutura requer tempo, empenho e, principalmente, investimento. Contudo, o Estado brasileiro parece caminhar na contramão do que preconiza os educadores, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), há uma previsão para cortes que beiram 5 milhões de reais na educação pública superior no Brasil. Ademais, o contingenciamento de gastos é tido como prática comum, no ano de 2019, por exemplo, as universidades públicas tiveram em média 30% dos seus recursos retidos. Nesse contexto, é evidente que haja déficitis físicos, reduzido número de profissionais, iniciações científicas e fornecimento de bolsas que auxiliem a permanência dos estudantes na graduação.
Ademais, a maioria das instituições particulares de nível superior no Brasil estão inseridas em grandes conglomerados econômicos que preconizam exclusivamente o lucro. Esse carater mercantilista da educação faz com que os índices de evasão universitária sejam maiores nas instituições particulares do que nas públicas. Segundo o MEC, a desistência de graduações em instituições privadas marca um percentual de 37%, enquanto nas públicas esse número chega aos 21%. Outrossim, apesar das mudanças, o ambiente acadêmico ainda é hierarquizado, o que dificulta o sentimento de pertecimento de grupos historicamente marginalizados na sociedade brasileira.
Portanto, conforme preconiza o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, educadar é persistir e resistir. Para isso, o Estado deve agir aumentando o investimento nas instituições públicas de nível superior, para isso uma reforma tributária no país é essencial, a taxação de grandes fortunas e o redirecionamento de porcentagens desses valores para a educação poderia ser viável. Ademais, cabe ainda a ampliação de programas de bolsas permenência e redes de apoio com profissionais multidisciplinares para os estudantes de nível superior. Dessa forma, com existência de aportes financeiros, de saúde, alimentação e moradia estudantil os índices de evasão poderiam ser diminuídos.