Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 10/05/2021
O sociólogo Thomas Marshall conceitua a cidadania como o conjunto de direitos garantidos por uma Constituição. Na esteira desse processo, a evasão universitária configura-se como empecilho na seguridade desse direito. Nesse sentido, as consequências associadas a esse estigma afetam o bem-estar social dos indivíduos, sua qualificação profissional e, também, o desenvolvimento socioeconômico do país, tornando-se um desafio a ser vencido.
Em primeira análise, é imperioso salientar que o Brasil é um dos países com maior índice de evasão no âmbito universitário no mundo. Nesse viés, dados do Ministério da Educação estimam que a mais de 21% dos estudantes universitários brasileiros abandonaram seus cursos, sendo um número ainda maior no ensino a distância – cerca de 39%. Nessa ótica, esses números são reflexos de um sucateamento das universidades brasileiras que, devido aos cortes de verbas, passam a funcionar com bastante limitação, fazendo com que alunos que dependem financeiramente de auxílios estudantis encontrem-se desamparados. Além disso, a educadora Isabel Hartmman afirma que o percentual da evasão escolar deve aumentar em 2021 devido a crise causadas pela pandemia, contribuindo para um número maior de alunos fora das universidades. Logo, esse problema é barreira rumo a construção da cidadania.
Sob essa perspectiva, a terra verde e amarela carrega em seu bojo as sequelas desse hematoma social. Nessa visão, o documentário ‘’Universo Universitário’’ retrata a experiência de jovens do ensino superior de Curitiba que já passaram ou pensaram em um processo de abandono devido a falta de amparo para se manterem na graduação. Dessa forma, os efeitos negativos diretos da evasão universitária são a má qualificação profissional desses indivíduos e, consequentemente, a formação de um mercado de trabalho menos qualificado. Ademais, de acordo com o historiador Leandro Karnal, o abandono universitário gera, entre outros problemas, um grande aprofundamento das desigualdades sociais já existentes no cerne brasileiros, transformando-se em consequências ainda maiores.
Dessa maneira, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para combater esse estigma social. Nessa égide, cabe ao Ministério da Educação arrecadar maiores verbas, proposto em caráter emergencial, e destiná-las às universidades com o intuito de mitigar o sucateamento das Instituições Públicas do país. Somando-se a isso, as universidades, em parceria com o Ministério da Economia, devem promover uma maior oferta de programas de auxílios estudantis – como vale alimentação, moradia e transporte – com o objetivo de diminuir as disparidades socioeconômicas enfrentadas pelos estudantes e, assim, garantir a continuidade desses indivíduos nas universidades. Feito isso, a cidadania conceituada por Thomas Marshall poderá ser uma realidade.