Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 05/07/2021
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, no artigo 6, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, ao analisar os desafios para diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil, percebe-se que, na realidade, os ideais da Carta Magna não são cumpridos. Esse cenário antagônico é fruto tanto da atual crise socioeconômica, quanto da educação básica defasada. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro lugar, é inevitável pontuar que o problema deriva do sucateamento do ensino público, influenciado pela instabilidade econômica do país. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, 37% das verbas destinadas ao ano de 2021, foram cortadas pelo governo federal, o que reflete significativamente na estrutura de amparo aos estudantes. Assim sendo, a administração das universidades se veem obrigadas a realizar ajustes no orçamento que afeta diretamente os alunos, uma vez que serviços de apoio como alimentação, transporte e moradia ficam em segundo plano para manter as aulas e laboratórios funcionando. Desse modo, a evasão universitária cresce exponencialmente no país, por isso é inadmissível que esse quadro perpetue.
Ademais, é imperativo ressaltar que a deficitária educação básica brasileira também é um promotor do problema. Conforme a revista científica “Scielo”, três quartos dos calouros oriundos de escolas públicas necessitam de cursos de nivelamento, para aprender os assuntos básicos que deveriam ser ensinados no ensino fundamental. Como resultado, metade desses alunos recém-ingressados na faculdade desistem dela por não se adaptarem ao ritmo de estudo, visto que precisam conciliar as matérias da graduação em conjunto com as lições de repescagem. Logo, é imprescindível que as autoridades tomem providências para ajustar a situação atual, dado que os cortes orçamentários e a dificuldade de adaptação intensificam significativamente a saída dos universitários.
Fica claro, portanto, que medidas são essenciais para contar o avanço da problemática na democracia brasileira. Dessa forma, com o intuito de reduzir os impasses abordados, necessita-se, imediatamente, que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, órgão responsável pelo repasse financeiro, dobre as verbas destinadas às escolas municipais e superiores, por meio de patrocínios com empresas, diminuindo os impostos das mesmas pela colaboração, com a intenção de oferecer apoio de qualidade ao estudante. Além disso, o Ministério da Educação deve modificar a sistemática de ensino básico, para que o acadêmico entre na universidade com um entendimento mínimo para se manter no curso. Somente assim, será possível cumprir a Constituição e diminuir os índices de evasão das faculdades.