Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 28/08/2021

A ativista e compositora Bia Ferreira, na música “Cota não é esmola”, discorre sobre a dificuldade de classes mais pobres em terminar o ensino médio e em conciliar o trabalho com a vida acadêmica nas universidades. De forma símile, o cenário denunciado pela cantora é posto em evidência na sociedade vigente pela evasão universitária brasileira, isto é, a saída em massa de cidadãos do ensino superior. Nessa perspectiva, embora seja imprescindível diminuir o êxodo escolar, as questões econômicas e estruturais, no sistema educacional, dificultam o progresso da nação brasileira.

Precipuamente, é lícito postular que há uma linha tênue entre o setor educacional e o econômico. Com efeito, crises econômicas diminuem a arrecadação de impostos, o que afeta o valor das verbas destinadas ao ensino público, dificulta o pagamento da mensalidade de estudantes de instituição privada e acentua a desigualdade social, haja vista a falta de recursos de classes mais baixas. Por analogia, em março e 2019 o Estado, ainda sofrendo com a recessão de 2014, corta quase cinco bilhões de reais da educação pública e, posteriormente, restringe o orçamento educacional devido à crise causada pela pandemia do COVID-19. Por conseguinte, depreende-se que a falta de incentivo financeiro promove o sucateamento do ensino, ou seja, a má qualidade do serviço e infraestrutura.

Ademais, vê-se que o ensino médio tradicional não prepara o aluno adequadamente para ser inserido na universidade. Porquanto, os calouros não se sentem perdidos na faculdade, seja pela dificuldade com a visão geral das matérias do ensino médio, o que gera um complexo do impostor, estado em que o aluno não se acham insuficientes para participar da instituição, seja pela incerteza do curso que está se formando. Partido desse pressuposto, assim como no filme “Escritores da liberdade” a professora ver a necessidade de adaptar sua metodologia para alcançar alunos marginalizados, o atual ensino médio também o deve fazer, visto que é monótono, obsoleto e centrado apenas no conhecimento técnico.

Infere-se, portanto, que a Câmara Legislativa deve criar uma lei que estipule, ao Tribunal de Contas da União, um valor mínimo para a educação que não seja independente ao cenário econômico do país. Outrossim, o Ministério da Educação deve reformar o sistema educacional de ensino por meio da implementação da educação dinâmica, estilo vestibular com simulados, apostila e monitoria, além de instituir uma disciplina que trace um planejamento profissional para os alunos. Dessarte, espera-se garantir o capital necessário para manter escolas públicas e privadas, sem alterar os gastos dos alunos, e preparar os estudantes para as universidades.