Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 15/10/2021
“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso”, exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a evasão universitária no Brasil - grave problema a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a cultura do imediatismo, solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que o tema é garantido por tais direitos, pelo suporte e recursos, como: apoio financeiro, meios de transporte, material didático e pelo incentivo do governo em formar jovens e adultos no curso superior. Entretanto, o Estado não atua em defesa do ponto de vista previsto constitucionalmente, pois de acordo com dados do INEP (Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais), 28,8% dos alunos abandonaram a faculdade nos últimos anos pela falta de recursos básicos.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no desinteresse e desânimo, vindos da cultura do imediatismo. Isso acontece devido à ânsia crescente por ter coisas para já e de resolver todos os problemas imediatamente. Porém, tal desejo vai de contramão à educação e a formação do indivíduo no curso superior, gerando uma frustração, já que, para conquistar o diploma, exigem-se tempo, paciência e constância, e grande parcela dos universitários não pensam nos resultados que irão ter em longo prazo, mas apenas nas dificuldades presentes no momento. Em virtude disso, segundo a frase do líder indiano Mahatma Gandhi, “Você nunca sabe que resultados virão da sua ação, mas, se você não fizer nada, não existirão resultados”. Sob esse viés, mesmo sem resultados aparentes e rápidos, ações devem ser providenciadas, pois o futuro almejado depende das atuais atitudes dos indivíduos.
Portanto, são necessárias medidas capazes de combater a negligência do Estado perante a evasão universitária. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas municipais e estaduais, desenvolva “workshops” em escolas de ensino médio, para debater causas, consequências e como diminuir os índices de desistência do curso superior. Esses eventos podem ser feitos por meio de atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas - de modo a proporcionar a visualização do assunto - além de palestras de sociólogos que orientem sobre o tema para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tópico e erradicar o problema. Assim, será consolidada um país que andará rumo à ordem e progresso.