Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 06/11/2021

Em março de 2019, o Governo Federal anunciou o bloqueio de R$ 5,8 bilhões na área de educação, o que foi efetivado no decreto 9741/19. Ademais, consoante o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em 2015, o índice de evasão na rede pública de ensino superior era de 15%, ao passo que, na esfera privada, era de 21%. Nessa perspectiva, nota-se a evasão universitária como uma anomalia na sociedade brasileira, sendo esta uma resultância do baixo investimento público nas universidades, da frequente inadimplência no que tange ao âmbito privado, bem como de outros fatores.                                                                                                                                                 Primordialmente, deve-se destacar o désdem do Estado no que concerne às univerdades públicas - o que é complementado por um ensino primário defasado. De acordo com o jornal “Brasil de Fato”, o orçamento federal prevê, em 2021, R$ 2,5 bilhões para os gastos discricionários - o que inclui despesas básicas, pagamento de bolsas e assistência estudantil. Tal valor é menor que o disponibilizado nos anos anteriores e, conforme alguns reitores de universidades federais, é insuficiente, podendo ocasionar o cancelamento do pagamento de auxílios aos estudantes de baixa renda e, por conseguinte, impossibilitar sua permanência na instituição. Sob esse viés, tornam-se claros os efeitos negativos de uma carência de investimentos no que diz respeito à evasão escolar, porquanto aquela fomentam esta. Outrossim, um ensino primário - também prejudicado por cortes - com má estrutura dificulta a adaptação de muitos alunos ao ensino superior, causando, por vezes, a desistência.

Por outro lado, faz-se mister enfatizar que os óbices financeiros - impulsionaldos pelas crises econômicas - são ordinariamente motivos de evasão nas universidades particulares. Segundo a Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (ABMES), devido a pandemia, cerca de 30% dos estudantes podem abandonar a faculdade em virtude da incapacidade de pagar as mensalidades, seja porque o emprego foi afetado ou pelo fato de haver insegurança financeira.  Nesse sentido, a evasão escolar é recrudescida pelo baixo poder aquisitivo, haja vista que muitos estudantes - por não terem conseguido uma vaga na universidade pública - só têm a particular como alternativa.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para tal, é impreterível que, com o fito de mitigar o sucateamento das universidades públicas - evitando, destarte, a evasão no ensino superior - que o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, arrecade mais verbas - mediante incremento de impostos das empresas privadas - em caráter emergencial, para que sejam destinadas à adequada manutenção das instituições públicas. Adicionalmente, medidas para aplacar a crise econômica devem ser adotadas, com escopo de dimunuir a evasão no cenário privado.