Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 20/11/2021
“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a evasão universitária - grave obstáculo a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a cultura do imediatismo, solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema. Nesse sentido, na teoria, imagina-se que o suporte e auxílio, como: apoio financeiro, meios de transporte, material didático e incentivo do governo em formar jovens e adultos no ensino superior, seja garantido pelo direito social à educação, previsto na Constituição federal de 1988. Entretanto, na prática, o Estado não atua em defesa do ponto de vista esperado constitucionalmente, pois, segundo dados do INEP (Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais), 28% dos alunos abandonaram a faculdade nos últimos anos pela falta de recursos básicos. Logo, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no desinteresse e desânimo, resultantes da cultura do imediatismo. Isso acontece - conforme à Organização Mundial da Saúde - devido à ânsia crescente por ter coisas para já e de resolver todos os problemas imediatamente. Porém, tal desejo gera uma frustração, já que, para conquistar o diploma da universidade, exigem-se tempo, constância e paciência. Isso ocorre, visto que grande parcela dos universitários não pensam nos resultados que irão obter em longo prazo, mas apenas nas dificuldades presentes no momento. Em virtude disso, segundo as ideias do livro “Present Shock: When Everything Happens Now”, lançado em 2013 pelo escritor Douglas Rushkoff, a falta de resultados aparentes e rápidos levam à ansiedade, porém, desistir não é o caminho, pois o futuro almejado depende das atuais atitudes dos indivíduos.
Portanto, são necessárias medidas capazes de combater a negligência do Estado perante a evasão escolar no Brasil. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, desenvolva “workshops” em escolas, para debater causas, consequências e como melhorar os índices de evasão escolar. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas - de modo a proporcionar a visualização do assunto -, além de palestras de sociólogos que orientem sobre o tema para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a elucidação da população sobre a temáica e erradicar o problema, seguindo rumo à ordem e progresso.