Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 28/08/2019
Com a chegada dos jesuítas ao Brasil, iniciaram-se as catequeses, com intentos de educar os nativos. Entretanto, esse processo foi feito de forma errônea, com imposições e aos moldes europeus. E os desafios para a educação adequada dos indígenas perduram em cenário hodierno. Ainda há muito preconceito voltado à populações autóctones, concebidas por grande parcela populacional como perclusas que não necessitam de educação formal. Além disso, as escassas tentativas de instrução à elas são pouco inclusivas, com equidade aos arquétipos urbanos. Tópicos que geram embaraço social nos indígenas, revelam austera desigualdade no pais e uma sociedade inerte ao tempo.
Precipuamente, é valido atentar-se às construções culturais errôneas presentes na sociedade brasileira, as quais geram afastamento dos povos indígenas e da população urbana. O Dia do “Índio”, é corriqueiramente celebrado nas escolas, evento no qual os índios são expostos como perclusos e distantes. Outrossim, é de sendo comum satirizar o uso de aparelhos tecnológicos dentro das tribos, conjuntura também movida pela concepção de que os nativos deveriam estar estanques ao tempo, da mesma forma que permanece o ideário populacional. Ademais, sem considerar as evoluções das comunidades indígenas e também suas especificidades, os alicerces para instrução de qualidade não são efetivados e a democratização moderna do conhecimento, se perde.
Em segunda análise, é possível observar que o direito a igualdade descrito da constituição, mostra-se por vezes como meramente teórico. Situação evidenciada, pelo embaraço social indígena, motivado pela discriminação populacional e governamental ao não receberem uma educação multilíngue, que respeite seus cotidianos e com professores, os quais compreendam suas rotinas. Também pelos baixos índices de nativos nas universidades publicas e privadas do país e as poucas ações afirmativas e auxílios acadêmicos destinados a eles. Aspectos que devem passar por modificações para a construção de um país mais justo e inclusivo.
Portanto, medidas devem ser postas em prática para que os desafios da educação indígena possam ser superados. Primordialmente, o MEC deve criar ações que incentivem a formação de educadores dentro das comunidades indígenas, os quais serão capazes de instruir de acordo com as demandas locais, proporcionando uma educação adequada e que vise as singularidades. Ademais, O MEC deve também, instituir palestras nas escolas e universidades, ministradas pelos profissionais supracitados, hábeis a desmistificar a ideia dos indígenas como parados no tempo e a expor o mérito da educação em todas as populações. Além de impulsionar os jovens a contornarem aspectos culturais retrógrados e diferentemente dos jesuítas estruturarem uma nova educação que engloba as singularidades.