Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 06/09/2019
O livro “Macunaíma” de Mário de Andrade apresenta uma visão estereotipada de homogeneidade dos indígenas brasileiros, fortemente ligada ao processo europeu de colonização nacional. Tal visão se perpetua hodiernamente e impõe desafios para a formação educacional dos indígenas, uma vez que afeta a qualidade do ensino e respeito as especificidades étnico-culturais dos mesmos.
Em primeiro lugar, é notável a inferioridade do padrão educacional indígena e o impacto dessa realidade no ingresso a universidades. Segundo o Instituto Nacional de pequisas educacionais, INEP, dos 8 milhões de alunos matriculados no ensino superior, apenas 50 mil são índios, fato que reflete a desigualdade de preparação em comparação aos estudantes de outras etnias. Diante desse cenário, é perceptível que a falta de infraestrutura e a escassez de recursos financeiros em escolas nas aldeias dificulta a equiparação e acesso dos indígenas a graduação.
Por conseguinte, apesar da existência de mecanismos legais que desobrigam as escolas em aldeias a seguirem o modelo educacional urbano, como a resolução número 5 de 2012, os professores não são preparados para se adequarem as diferenças culturais e linguísticas entre as tribos, e consequentemente, promoverem o ensino igualitário. De acordo com o Instituto Nacional de geografia e estatística, IBGE, o Brasil possui 305 etnias e 274 línguas indígenas distintas, o que demonstra a dificuldade de se adequar a educação as diversas diferenças entre os índios. Assim, em consonância com a Constituição Federal de 1988, que garante o direito a cidadania e respeito a cultura indígena, se torna necessário a formação mais específica de educadores para determinada língua e etnia tendo em vista a preservação da cultura e costumes locais.
Portante, cabe a Fundação Nacional do índio, FUNAI, agir por meio da oferta de cursos e formulação de materiais didáticos, no sentindo de preparar e familiarizar os professores com a língua e a tribo com a qual irão trabalhar. Ademais, é de responsabilidade do Ministério da Educação agir, por meio do aumento do repasse de verba pública para as escolas em aldeias, para que haja a melhoria na infraestrutura e qualidade da educação ofertada aos índios. Essas ações tem o objetivo de proporcionar condições igualitárias de ensino para todos os cidadãos, mantendo o respeito pelas especificidades da cultura indígena. Dessa forma, distanciar-se-à a realidade brasileira daquela apresentada em “Macunaíma”