Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 07/09/2019

No período colonial, os jesuítas foram enviados pela Igreja Católica na missão de catequizar os índios e impor-lhes seus costumes e língua. No contexto atual, este processo de desrespeito a alteridade dos povos indígenas continua sendo uma realidade no Brasil. Diante disso, percebe-se os desafios para a educação indígena, visto que a precarização do ensino e o difícil acesso às instituições de nível superior impedem que essa população desfrute dos direitos garantidos por lei.

A priori, é importante destacar que a Constituição de 1988 permitiu, pela primeira vez, o desenvolvimento de uma educação bilíngue e intercultural. Por outro lado, como afirmou José Bessa, coordenador do Pro-índio da UERJ, o modelo pedagógico vigente impede, na prática, que a população indígena tenha acesso à educação de qualidade. Isso ocorre, sobretudo, em virtude de um ensino que não leva em conta o território e o modo de vida desses povos.

Outrossim, o nível do ensino e a precariedade das escolas indígenas colaboram negativamente para manutenção desse cenário. Nesse sentido, o baixo investimento em políticas públicas de formação educacional dos índios dificulta o acesso desses indivíduos ao ensino superior. Segundo o Censo da Educação Superior, das 8 milhões de matrículas nas faculdades, apenas 49 mil foram de pessoas indígenas. Nota-se, portanto, uma situação de exclusão que precisa ser alterada.

Diante do exposto, medidas são necessárias para mudar essa realidade. Então, o Ministério da Educação deve estabelecer um plano pedagógico que, de fato, garanta um ensino diferenciado às populações indígenas, com interesse de desenvolver uma educação que respeite suas tradições e cultura. Ademais, o Estado deve investir na criação de escolas em áreas indígenas e na formação dos professores, a fim de melhorar a qualidade do ensino, além de possibilitar o acesso às universidades por meio de cotas raciais, incluindo, assim, os índios no ensino superior. Feito isso, o bem-estar social não será privilégio de uma minoria de brasileiros.