Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 17/09/2019
A constituição federal brasileira, no seu artigo 206 garante que o ensino deve ser ministrado com igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Assim sendo, o projeto desenhado para a educação no país deve levar em consideração os diferentes aspectos que compõem a cultura dos povos que aqui habitam, especialmente os indígenas. Nesse sentido, é necessária uma análise dessa problemática intrinsecamente ligada a aspectos políticos e ideológicos.
Em primeiro lugar, é imperativo destacar que os desafios para a educação da população indígena no Brasil são complexos. Isso porque, além das dificuldades estruturais e logísticas, esse corpo social tem uma cultura singular se comparado com o resto da população brasileira. Dessa forma, a educação desse povo deve ser manejada de tal modo que ela se adeque a sua realidade social, levando em conta fatores culturais como suas crenças e seu estilo de vida. Logo, o aprendizado poderá ser usado como ferramenta de transformação social naquele meio.
Em segundo plano, é imperioso reconhecer o papel transformador que a educação exerce em uma sociedade. O filósofo brasileiro Paulo Freira, em sua obra " A Pedagogia do Oprimido" ressalta a importância de uma educação horizontal, onde o aluno tenha mais participação no processo de aprendizado de forma a entender seu lugar na sociedade como indivíduo. Dessa maneira, o projeto pedagógico previsto para a alfabetização dos povos indígenas deve salientar a importância de sua cultura de modo a reconhecer sua posição de oprimido e esclarecer seu lugar como legítimo cidadão brasileiro.
Depreende-se, portanto, a necessidade de políticas públicas que visem superar os desafios expostos. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação (MEC) garantir que a educação dos povos indígenas seja adequada a sua realidade social. Tal ação será possível através da criação de uma base curricular comum direcionada à essa população, criada com ajuda de pedagogos e professores indígenas, com o objetivo de personalizar o aprendizado tornando-o mais atraente e transformador. Quiça, assim, tal hiato reverter-se-há, sobretudo sobre a perspectiva tupiniquim e que a educação sirva como ferramenta transformadora da sociedade como apregoava Paulo Freire.