Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 11/09/2019

Em sua obra Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley retrata um ambiente urbano futurístico marcado pelo preconceito e exclusão da população nativa, a qual é considerada selvagem pelos personagens da obra. Na contemporaneidade, observa-se que o corpo social brasileiro tem seguido os caminhos trilhados pela sociedade huxleyana, tendo em vista que não está sendo dada a devida atenção aos direitos dos indígenas, especialmente no setor educativo que é o responsável pela formação dos cidadãos. Dessa forma, faz-se necessário analisar os obstáculos na educação dos índios no Brasil.

A princípio, a falta de profissionais aptos para trabalhar nas comunidades ameríndias é um fator dificulta o desenvolvimento dessa parcela da população. Segundo o Censo 2016 realizado pelo Ministério da Educação (MEC), de cada três estudantes indígenas, apenas um consegue ingressar nas universidades. Dessa maneira, torna-se claro que a falta de um sistema que viabiliza a educação dessas pessoas acaba por restringir o seu desenvolvimento social, pois, o número de profissionais conhecedores da cultura desse povo e, consequentemente, capacitados para atuar nas suas tribos torna-se limitado.

Além disso, outro desafio na educação dos aborígenes brasileiros é o preconceito presente em boa parte do ambiente acadêmico. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, é na infância que os indivíduos passam pelo processo de socialização, ou seja, adquirem os valores morais e éticos necessários para  vida em sociedade. Nesse viés, a falta de debate nas escolas sobre a realidade dos nativos brasileiros pode favorecer a formação de cidadãos ignorantes e adeptos de práticas preconceituosas, que, além dos diversos malefícios causados a vitima, promove a evasão acadêmica.

Urge, portanto, que o Estado, junto com o Ministério da Educação (MEC), criem uma lei que altere a base curricular dos  cursos de pedagogia e licenciatura, de maneira que a educação voltada para indígenas seja incluída, a fim de capacitar os egressos de tais modalidades a trabalharem em tribos. Assim sendo, a sociedade brasileira se distanciará da sociedade de Admirável Mundo Novo, visto que será ampliado o número de profissionais qualificados para educação de nativos e aumentar-se-á o contato do povo brasileiro com a cultura tupiniquim.