Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 22/09/2019
O futuro concertará os erros do passado
Ao longo da história, a educação indígena no Brasil enfrentou grandes mudanças. Com a chegada dos Jesuítas, em meados do século XVI, o ensino passou a ser imposto e os aborígenes rebeldes com essa pedagogia eram condenados à escravidão. Por sua vez, com a Constituição Nacional de 88, a educação deixou de ser autoritária e passou a ser um direito. No entanto, os desafios de conciliar esse processo de ensino com a cultura indígena e de sanar os problemas de infraestrutura ainda perduram.
Em primeiro lugar, é inexorável afirmar que a conciliação entre a cultura autóctone e os novos paradigmas educacionais constituem um grande desafio. Os hábitos da população indígena são muito distintos dos da sociedade urbana, esse grupo detém uma visão coletiva e cosmológica, a mitologia é muito presente no seu meio e, dessa forma, a ciência assume um papel secundário na obtenção do conhecimento. Assim, conciliar o processo de aprendizado com a educação voltada para o mercado de trabalho, demonstra-se um processo delicado que deve ser empreendido com cautela, para maximizar o estudo e preservar os saberes tradicionais.
Somando -se a isso, existem as dificuldades de se estabelecer um ensino de qualidade nas localidades onde os índios geralmente se encontram, tendo em vista que as maiores oportunidade estão nos centros urbanos. De acordo com dados do IBGE, a grande maioria dos assentamentos indígenas estão localizados em regiões de mata, dessa forma, promover uma educação de qualidade nessas localidades é difícil graças aos problemas logísticos, estruturais e pela falta de profissionais qualificados dispostos a trabalhar na mata. Destarte, é inquestionável o papel da localização dos assentamentos nas dificuldades de se estabelecer uma educação de qualidade.
Torna-se evidente, portanto, que para diminuir a dívida histórica e ratificar os direitos da CN de 88, medidas devem ser tomadas. Em primeiro lugar, cabe ao MEC criar uma base curricular específica para os povos autóctones, essa base deve conter os paradigmas de uma educação que concilie a ciência, o saber tradicional e ainda possa preparar para o mercado de trabalho. Esse órgão também deve investir em infraestrutura, equipamentos, livros e em profissionais qualificados para desempenhar o seu papel. Pois, dessa maneira, a educação indígena ira alcançar altos patamares e, assim, o Brasil estará um passo a menos de consertar o seu passado com uma aposta no futuro.