Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 22/09/2019
A Constituição Federal de 1988 prevê a todos os povos indígenas o direito a uma educação específica, diferenciada, intercultural e bilíngue. Em contrapartida, este direito não é verdadeiramente assegurado na prática, uma vez que problemáticas como a inexistência de escolas e centros universitários nas aldeias, bem como a falta de capacitação de professores com alunos indígenas ainda é frequente. Deste modo, é imprescindível tomar atitudes com o fito de mitigar tais impasses e proporcionar a plena prática dos direitos destes povos.
Em primeiro plano, observa-se que nas aldeias é rara a presença de escolas e universidades para suprir a grande demanda educacional dos indígenas, na qual é ocasionada pela falta de interesse dos orgãos públicos em investir neste setor, que fica em segundo plano. Este descaso contribui para a redução nas taxas de alfabetização dos índios e posteriormente dificulta a inserção destes povos no mercado de trabalho, o que configura-se como algo alarmante, uma vez que o filósofo brasileiro Paulo Freire afirma que a alfabetização é capaz de promover o desenvolvimento econômico, social, político e cultural de um país. Sendo assim, torna-se indispensável atenuar tais adversidades.
De outra parte, percebe-se que a falta de capacitação dos professores com estudantes de origem indígena também atua como fator problemático, já que é ocasionada pela ausência de formações para os educadores sobre a temática indígena, o que gera dificuldades significativas na aprendizagem dos alunos acerca da sua própria cultura e os aspectos que a envolvem. Cabe ressaltar que é de extrema relevância o conhecimento sobre isto, pois como aduz o sociólogo francês Émile Durkheim, o indivíduo só pode agir dentro da sociedade se conhecer suas origens e o contexto em que está inserido. Logo, é fundamental que tais empecilhos sejam minimizados.
Urge, por conseguinte, tomar as medidas necessárias para reduzir os desafios em questão. Posto isso, cabe a empresas privadas e a ONGs a criação de um projeto escolar que reúna diversos educadores voluntários com o intuito de iniciar um programa de alfabetização nas aldeias mais necessitadas, realizando também atividades educativas e esportivas a fim de reduzir a problemática escolar indígena. Ademais, é de responsabilidade do Ministério da Educação, inserir nas cadeiras universitárias de Licenciatura, disciplinas interculturais indígenas com o fito de capacitar os futuros docentes para a prática da educação inclusiva com estes alunos. Dessa forma, os povos indígenas terão seus direitos respeitados e o país se desenvolverá como afirmou Paulo Freire.