Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Durante o Quinhentismo brasileiro, muitos dos textos produzidos, principalmente por padres jesuítas, tinham o papel de catequizar os nativos através de uma inconcebível imposição às doutrinas da religião católica e a alguns costumes europeus. Posteriormente, no século XXI, muito se discute sobre os desafios para a educação da população indígena no Brasil, entretanto, sem que ocorra os mesmos erros do passado. Nesse sentido, existem graves empecilhos que afastam esses povos do pleno direito ao ensino escolar que respeite suas tradições e costumes. Entre eles, destacam-se a desvalorização de suas culturas e a negligência estatal.

Primeiramente, é preciso atentar para o fato de que o índio, mesmo nos raros momentos em que protagonizou a literatura brasileira, durante o Romantismo, não teve suas identidades preservadas. Isso é afirmado, por meio da obra “O Guarani”, de José de Alencar. Nela Peri, o protagonista, é um nativo cristão, monogâmico e cujo maior feito é lutar contra uma tribo de “selvagens” para proteger uma família de portugueses. Nesse contexto, percebe-se que desde o início o indígena não é representado pelo que realmente é, mas sim pelo que uma visão branca e europeia esperava que ele fosse - o que, lamentavelmente, marca a imposição de uma cultura sobre a outra. Com isso, a priori, vê-se que para a correta educação dos povos nativos, é imprescindível que suas culturas e tradições sejam respeitadas.

Ademais, é imperativo pontuar que a pouca educação dada aos índios deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que auxiliem na inclusão dessa minoria nos projetos de cidadania. Nessa esteira, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o maior responsável por garantir a educação, segurança e bem-estar aos seus cidadãos, contudo, isso não tem ocorrido no Brasil. Nessa lógica, devido à falta de atuação das autoridades, esses povos carecem  de uma educação integra e de qualidade que possa abrir as portas para amplas oportunidades junto ao restante da população brasileira.

Destarte, para que os nativos possam desfrutar de seus direitos a um ensino escolar inclusivo e que respeite suas tradições, faz-se mister que o Estado intervenha. Para isso, urge que o Ministério da Educação e Cultura, junto com a FUNAI, por meio de impostos arrecadados, criem projetos pedagógicos dentro das escolas - a partir de feiras culturais, palestras e, principalmente, pela inclusão, no material didático dos jovens, de um estudo dirigido às nações indígenas brasileiras. Dessa forma, a finalidade desse projeto é fazer com que as tradições dessa minoria possam ser disseminadas e, assim, valorizadas pelo resto da população. Além disso, cabe aos governantes estabelecer leis que ampliem ações afirmativas em prol dos índios. Só assim não cometeremos os erros do passado.