Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 29/02/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar eternamente uma enorme rocha até o cume de uma montanha, mas sempre que alcançava o topo, a rocha precipitava por seu próprio peso. Hodiernamente, esse mito assemelha-se aos desafios educacionais da população indígena no Brasil, os quais tentam ultrapassar as barreiras sociais, a fim de conseguir o que é seu por direito natural. Nesse sentido, é fato que a formação educacional dos indígenas no Brasil é um grande desafio, não apenas pela displicência do Estado, mas, sobretudo, pelas restrições sociais impostas a esses indivíduos.
Em primeiro lugar, é importante destacar que os povos indígenas têm o direito, ressaltado pela Constituição Federal de 1988, a uma educação específica, que resguarde o diferencial intercultural e comunitário. No entanto, esse direito não é formalmente cumprido, uma vez que, cotidianamente, ainda há poucos indígenas nas universidades. Segundo o Censo de 2016, cerca de 49 mil indígenas realizaram matrículas nas universidades brasileiras. Esse número indica o limitado acesso prestado à formação acadêmica dos indígenas.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande empasse à permanência dos indígenas nas universidades. Infelizmente, a existência da discriminação racial contra os povos indígenas é um reflexo do passado histórico. Não obstante, de acordo com o filósofo e ativista francês, Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar padrões errôneos construídos em outros momentos históricos. Desse modo, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para traspor barreiras à formação educacional dos indígenas.
É mister, portanto, que o Estado tome providências para resolver esse problema. Urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) mobilize, por meio de verbas governamentais, programas de incentivo à formação de professores indígenas, a fim de promover a inclusão desse povo na sociedade brasileira. Cabe ao Estado, também, criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas, o qual promova palestras e apresentações artísticas a respeito da cultura e dos direitos da população indígena- posto que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador- para que a comunidade escolar e a sociedade em geral, conscientizem-se. Somente assim, será possível amenizar os desafios enfrentados por esses povo e, distanciando-se da condenação eterna da mitologia grega, possam tirar essa imensa rocha do meio do caminho.