Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 11/05/2020
Tema sensível e atual, começou a adquirir corpo recentemente, à medida que indígenas passaram a assimilar os conhecimentos dos brancos, sem abandonar seus próprios valores e sua riquíssima cultura.
É o caso do indígena Daniel Munduruku, de Lorena-SP, que, há algum tempo, proferiu palestra no Dia dos Povos Indígenas, 19 de abril, no Teatro Adamastor, em Guarulhos, e foi ovacionado, de pé. Seu invejável currículo:
Daniel Munduruku, Belém-PA, 28.2.1964, escritor indígena da etnia Munduruku, graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia. É mestre em Antropologia Social pela USP, doutor em Educação pela USP e pós-doutor em Linguística pela UFSCar. Diretor-presidente do Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais. Autor de 52 livros para crianças, jovens e educadores, é Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, desde 2008. Em 2013, recebeu a mesma honraria na categoria da Grã-Cruz, mais alta honraria oficial a um cidadão brasileiro na área da Cultura.
Membro-Fundador da Academia de Letras de Lorena, recebeu vários prêmios no Brasil e Exterior, como Prêmio Jabuti, Prêmio da Academia Brasileira de Letras, Prêmio Érico Vanucci Mendes, do CNPq; Prêmio Tolerância, da UNESCO. Vários livros seus receberam selo Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, FNLIJ. Em 2017, foi agraciado com Prêmio Jabuti na categoria Juvenil. Ganhador do Prêmio da Fundação Bunge pelo conjunto de sua obra e ação cultural, 2018.
Avaliemos a superação histórica desse membro de nossos ancestrais. Imagine-se, um de nós, em meio à etnia Munduruku, saber tanto sobre ela, capaz de ser visto pelo pajé munduruku como um de seus sábios, sobre a Natureza, seus entes, seus símbolos! Quem de nós conquistaria tal prêmio?
Pode-se deduzir que os povos originais têm humildade para assimilar nossa Ciência, pois, na mão oposta, por preconceito e ignorância seculares, somos deficientes, não sabemos sequer sua língua. Eles, povos milenares, sabem quem somos e nós desconhecemos nosso próprio passado.