Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 30/04/2020
No livro “Hipermodernidade”, de Gilles Lipovetsky, é retratada uma sociedade na qual os indivíduos estão mais informados, porém, ainda não críticos, mostrando assim a realidade vivida no Brasil. Com isso, evidencia-se um corpo social marcado pela dicotomia da responsabilidade ou irresponsabilidade. Nesse sentido, percebe-se que os principais desafios para a educação da população indígena são a falta de infraestrutura e a falta de profissionais qualificados, o que causa um déficit na educação desse grupo social.
É imprescindível ressaltar, a princípio, que a falta de infraestrutura é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com historiador Eric Hobsbawm, o século XX foi marcado pela era dos extremos devido ao paradoxo: de um lado, os avanços tecnológicos e de outro, o extermínio de cultura e povos. É o que se verifica no atual cenário brasileiro, no qual se investe em tecnologias de informação, mas não no ensino dos povos indígenas, como na melhoria da infraestrutura das escolas. Além disso, falta profissionais qualificados, pois esses povos necessitam de um modelo pedagógico diferente do “urbano”, por possuírem outra cultura.
Ademais, é importante destacar, também, que a sociedade indígena vive em constantes riscos ao não ter o direito fundamental, como a educação, garantido, como teorizou o sociólogo Ulrick Beck, na obra “A sociedade do risco”. Assim sendo, a principal consequência é no âmbito social, visto que com uma base educacional fraca, os povos indígenas não conseguem concorrer com outros alunos , por exemplo, para uma vaga na universidade. Segundo dados do Censo de 2016 apenas 47% dos indígenas conseguem uma vaga pelo Fies ou pelo Prouni. Portanto, verifica-se a falta de responsabilidade do Estado. Desse modo, são necessários novos agentes de mudança quando se trata da relação entre os seres humanos de diferentes culturas.
Portanto, a educação a educação da população indígena é um desafio para o universo do homem social. Para esse mundo globalizado, são necessários investimentos na Educação Social a fim de adquirir novos valores e mudar a conduta, porque se percebe hoje uma distorção de comportamentos. Por isso, os Institutos de tecnologia, em parceria com o Ministério das comunicações, por meio de projetos de apoio social, devem criar plataformas digitais, a exemplo do “Youtube”, já que são instrumentos de longo alcance, com documentários e até orientações sobre a necessidade de capacitar mais profissionais especializados, o que irá favorecer, principalmente esse grupo social. Assim, é preciso ter atos responsáveis para uma sociedade mais igualitária.