Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 31/05/2020
Na obra ‘’Iracema’’,que se passa no século XVI,do romancista José de Alencar,é possível notar,através,das descrições feitas pelo autor,a imagem do índio com um estereótipo totalmente idealizado.Fora das páginas do livro,apesar dos brasileiros encontrarem-se em pleno século XXI,tal visão romantizada e homogênea perpetua a respeito dos ameríndios.Com isso, surge uma problemática ligada intrinsecamente a educação da população indígena,seja pela ineficácia legislativa,seja pelos percalços pedagógicos encontrados.
Em primeiro lugar, desde a constituição de 1988, os povos indígenas têm direito a uma educação específica,intercultural e bilíngue.Neste contexto,segundo Sêneca,importante escritor do Império Romano,’’A educação exige os maiores cuidados,porque influi sobre toda uma vida’’.No entanto, esse zelo mencionado pelo autor e o cumprimento da lei citado à cima,na prática não acontecem,pois os livros pedagógicos oferecidos pelo Estado,nem sempre possuem as duas formas de escrita,a portuguesa e a materna,fato que dificulta o aprendizado e contribui para a perda gradativa de identidade cultural dos índios.
Ademais,a escassez de profissionais aptos para a educação indígena também é um obstáculo.Dentro dessa ótica,de acordo com o poeta modernista Carlos Drummond de Andrade,‘’No meio do caminho tinha uma pedra,tinha uma pedra no meio do caminho’’.Sob esse aspecto,o documentário feito em 2018,a ‘’ história de Amália ‘’,no qual,a índia viaja 25 dias de canoa para conseguir frequentar a faculdade e posteriormente lecionar para as pessoas de sua tribo,representa legitimamente as ‘’pedras no caminho’’ enfrentadas pelos povos nativos para se educar e exercer sua cidadania.
Portanto,é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual.Sendo assim,para cumprir a educação pretendida em lei aos indígenas,urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie,por meio de verbas governamentais,materiais pedagógicos específicos para cada povoamento,respeitando suas línguas e culturas vigentes,com intuito de transmitir os ensinamentos de forma flexível e direcionada.Além disso,cursos de magistério,devem ser transmitidos on-line,em uma parceria público-privada,nas escolas próximas as tribos,com o fito de facilitar a formação de professores e diminuir a distância deslocada pelos discentes.Somente assim,será possível retirar as ‘‘pedras’’ existentes no caminho para educar os indígenas no Brasil.