Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 27/05/2020

Na obra pré-modernista, ‘Triste fim de Poliquarpo Quaresma’, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte não mimetiza a realidade atual, visto que o núcleo brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a dificuldade de forma educandos indígenas nas comunidades nacionais. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto da falta de racionalidade social quanto do silenciamento a nível pessoal .

Deve-se analisar, primeiramente, que a ausência de um  pensamento racional sobre tal impasse é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, consoante ao filósofo Hegel, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma irracionalidade no cenário educacional das comunidades indígenas, uma vez que que se constata a falta de inclusão dessas etnias no quadro escolar, acarretando, dessa forma, a desigualdade educacional no corpo brasileiro. Vale ainda salientar, que a Carta Federativa de 1988, através de suas diretrizes, assegura a todos os indivíduos o direito a formação escolar. Diante disso, é cabível engendrar premissas para combater esse dilema social.

É vital evidenciar, ainda, que os empecilhos educacionais na população indígenas encontra terreno fértil no silenciamento da população. Nessa óptica, Habermas faz uma contribuição, que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, para que o empecilho seja solucionado, é necessário discutir sobre. Analogamente, percebe-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a sociedade se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do MEC, aliado a FUNAI, em 2014, pouco mais de 40% das escolas indígenas não possuíam educadores e materiais didáticos para promover o ensino desses grupos, dificultando, dessa maneira, o aprendizado dessa parcela significativa. Acerca dessa assertiva, sabe-se que trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, dessarte, o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com a secretaria especial do Ministério da Educação, por meio de ações: palestras, publicações em redes sociais, propagandas televisíveis e bate-papos nos centros urbanos, orientar toda base populacional, sobre a importância da formação educacional dos indígenas, para que, de tal forma, possa alavancar a criticidade desses indivíduos diante o cenário escolar brasileiro. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação brasileira.