Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 30/06/2020
A Primeira Geração do Romantismo brasileiro tem como uma de suas principais características o culto e a idealização da imagem do índio como um herói nacional. Sob essa lógica, os literários já compreendiam os autóctones como elemento importante na construção da identidade e história do Brasil. No entanto, esse enaltecimento mostra-se amortecido, pois, atualmente, existe grandes desafios para a educação da população indígena no país, o que leva a um quadro de exclusão social. Tal problema está interpenetrado no preconceito e na falta de preparação das escolas.
Constata-se, a princípio, que o preconceito vívido pelos índios impede a consolidação de uma educação de qualidade. Nesse contexto, a errônea imagem de que os aborígenes são selvagens e sem intelecto é o que permeia a maioria das opiniões da sociedade, o que não foge do ambiente escolar - que já é considerado um ambiente suscetível a hostilidade e competitividade. Nesse viés, qualquer expressão cultural dessa população vira motivos de piadas, o que faz crescer a vontade desistência entre eles, impedindo o exercício da educação e formação de cidadãos. Essa situação, sob as ideias da filósofa Hannah Arendt, é totalmente incerta, pois a diversidade é inerente à condição humana, de modo que todos devem aprender a conviver com o diferente.
Outrossim, somado ao supracitado, a falta de preparação das escolas potencializa ainda mais a exclusão educacional da população indígena. Nesse sentido, de acordo com a teórica Vera Maria Candau, o sistema educacional está preso a moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. A proposta discutida por Vera é vista, por exemplo, na falta de estruturas e preparação das escolas no que tange o recebimento de índios, uma vez que esses esses ao chegarem nas escolas se sentem em um meio hostil, já que se deparam com um ambiente indiferente com sua realidade cultural. Desse modo, estes não se sentem representados, o que cresce o sentimento de não pertencimento.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que medias sejam tomadas para obliterar os desafios da educação para a população indígena. Para isso, cabe ao Ministério da Educação desconstruir o preconceito direcionado aos autóctones, por meio de aulas interdisciplinares de Sociologia e Literatura, as quais irão, mediante a análises de obras literário do período romântico, debater a importância da figura do índios, além de salientar seus direitos, a fim de que o problema seja atenuado. Ademais, o Estado deve, na figura da Secretaria Nacional da Cultura, garantir um sentimento de pertencimento aos índios nas escolas, por meio da reestruturação desse meio, que irão mostrar um perfil mais indianista, além de promover feiras culturais, com o fito de que a educação aborígene seja consolidada.